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0 O Corsário do Rei (Os Filhos de Krondor #2) + Opinião


Há muito recomposto da guerra da brecha, a terra e o povo do reino das ilhas floresce. Nicholas, o filho mais novo do Príncipe Arutha, é um jovem inteligente e dotado, mas foi sempre protegido pela vida na corte, em Krondor. Para que aprenda mais sobre o mundo para lá das paredes do palácio, Arutha decide enviar Nicholas e o seu irreverente escudeiro, Harry, até à rústica Crydee, onde Arutha cresceu. É tempo de mostrar uma vida sem privilégios. 
Mas poucas semanas após a chegada deles, Crydee é brutalmente atacada. O castelo fica reduzido a ruínas, os cidadãos são chacinados e duas jovens nobres – amigas de Nicholas – são raptadas. 
Ao aventurar-se para longe das paisagens familiares da sua pátria em perseguição dos invasores, Nicholas compreende que está em jogo algo mais do que o destino das suas amigas, e mais até do que o destino do Reino das Ilhas, pois por detrás dos piratas assassinos esconde-se uma força bem mais poderosa que põe em perigo todo o mundo de Midkemia. E apenas ele poderá vencer essa terrível ameaça… ou perder o reino por inteiro.


Editora: Saída de Emergência (Outubro, 2012)
Género: Fantasia
Páginas: 512
Original: The Kings Buccaneer (1992)

Opinião:
Passaram-se diversos anos desde a jornada dos gémeos Borric e Erland, filhos do Príncipe Arutha, que marcou o primeiro livro de Os Filhos de Krondor, O Príncipe Herdeiro, trabalho que encaixa na Saga O Mago, e mais uma vez algo de grandioso se prepara para despontar…e assim iniciamos mais uma aventura em Midkemia! 

Desta vez cabe ao filho mais novo de Arutha, Nicholas, salvar o Reino! Ao ser enviado para perto do seu tio Martin em Crydee, com o objectivo de amadurecer competências, Nicholas vê-se pela primeira vez na vida desprotegido dos cuidados dos pais. É que além de ser o mais novo de quatro irmãos, Nicholas sempre foi também o mais frágil, especialmente devido a uma deficiência congénita no pé. Mas quando Crydee é atacada por um bando de carniceiros com intenções obscuras, Nicholas vê-se lançado numa jornada de dificuldades que o obrigará a amadurecer de uma vez por todas. 

Raymond E. Feist marca um compasso inicial excepcional, descrevendo-nos passagens bastante cinematográficas que mantêm a aventura interessante e animada. É certo que a base da narrativa volta a repetir-se: dois rapazes são expostos a diversas provações à medida que vão conhecendo melhor o mundo e os povos que nele vivem, vendo-se confrontados com um crescimento pessoal forçado. Tivemos isto com Pug e Thomas, Arutha e Liam, Borric e Erland e agora com Nicholas e Harry. 

Apesar disso, como avançamos neste fantástico mundo já há algum tempo, através de várias gerações, torna-se bastante interessante observar a interacção entre estes miúdos de agora e as personagens que figuraram em aventuras anteriores. Os meus personagens preferidos de O Corsário do Rei são o sarcástico Amos Trask e o completamente-fora-de-órbita Nakor, pela boa disposição e sentido de humor que ambos trazem para a história. A adição de personagens femininas fortes (Brisa e Margaret) foi bastante inteligente…contudo, seria então de esperar que estas fossem realmente independentes e que viessem a executar, por si só, alguns actos heróicos. Como tal não se verifica, estas raparigas foram para mim a maior desilusão do livro. Mas para compensar, o carácter jovial e divertido da maior parte das personagens permite-nos apreciar melhor a narrativa. 

Se por um lado o livro é satisfatoriamente pormenorizado, por outro estes detalhes acabam por pesar imenso no desenvolvimento da história, arrastando-a de tal forma que a torna aborrecida em certas partes…e aborrecido não é certamente um adjectivo que deva estar na lista para descrever um livro de fantasia! 

Além disso, como só há, digamos, «uma missão» neste livro tudo acaba por revolver em torno do mesmo…e diversidade só encontramos mesmo em ambiente e personagens. Contudo, e apesar de E. Feist continuar a apresentar-nos diferentes pontos de vista, não o faz com a frequência com que o realizou nos livros anteriores, também talvez porque o objectivo é mesmo para todas as personagens. Isto permite-nos acompanhar melhor os desenvolvimentos da história, tornando-a muito menos confusa do que as da Saga O Mago

Certamente podemos contar com as já habituais conspirações, traições, desejos de usurpação, negociações obscuras e entraves que vão sendo ultrapassados à medida que a história se desenrola, mas creio de desta vez Raymond E. Feist fez isto tudo bem melhor! Não só pelas melhorias na escrita do autor, mas pelo afeiçoamento a Nicholas (que não havia experimentado com nenhuma personagem dos livros anteriores) e também por todas as novas personagens que, com as suas personalidades, enriquecem a história! Não foi por me ter aborrecido e entediado em certas partes que não consigo dar valor ao livro e apreciar a evolução da trama e do autor desde O Mago…e mesmo as cenas que eram completamente desnecessárias estão repletas de acção, o que confere uma dinâmica agradável à leitura. 

Este acabou por se tornar o meu livro preferido tanto da Saga O Mago como Os Filhos de Krondor e para mim, que tive tantas dificuldades com a primeira saga de Midkemia, a série começa finalmente a compensar! Pela primeira vez fiquei intrigada com o que se poderá seguir, que personagens tomarão agora as rédeas desde mundo e que escroques se atreverão a voltar a conspirar contra o Reino!


Livros de Raymond E. Feist:
O Príncipe Herdeiro

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