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0 O Rapaz Perverso | Opinião


Wook.pt - O Rapaz PerversoNa manhã de segunda-feira, 8 de julho de 1895, Robert Coombes, de 13 anos, e o irmão Nattie, de 12, saem da sua casa térrea em Londres para irem ver um jogo de cricket. O pai tinha ido para o mar na sexta-feira anterior, disseram os rapazes aos vizinhos, e a mãe estava de visita a familiares em Liverpool. Ao longo dos dez dias seguintes, Robert e Nattie gastam dinheiro de maneira extravagante, empenhando os valores dos pais para irem ao teatro e à praia. Mas quando o sol incide em toda a sua força sobre a casa dos Coombes, um estranho cheiro começa a emanar dela.

Quando a polícia é finalmente chamada a investigar, a descoberta que faz lança a imprensa num frenesim de horror e alarmismo, e Robert e Nattie são arrastados para um julgamento que ficará célebre por lembrar a intriga das histórias «de faca e alguidar» que Robert adorava ler. Um crime fascinante - não apenas um exame meticuloso de um caso chocante e como também um hino à capacidade extraordinária de um homem de ultrapassar o seu passado.


Autor: Kate Summerscale 
Editor: Bertrand Editora (Abril, 2017) 
Género: Memórias/Biografias
Páginas: 336
Original: The Wicked Boy: The Mystery of a Victorian Child Murderer (2016) 
 Edgar Award Nominee for Best Fact Crime (2017)
opinião
★☆☆☆☆

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Apesar da capa e sinopse aliciantes, «O Rapaz Perverso» é, na verdade, um livro severamente entediante!

Nele, Kate Summerscale oferece-nos um relato puramente factual do que se passou a partir de 8/7/1895 quando Robert, com o conhecimento (e, quem sabe, ajuda) do irmão Nattie assassina a própria mãe. Uma descrição que sofre imenso pela falta de dinâmica e entusiasmo, tornando-se seca e desinteressante logo após as primeiras páginas. Sem informação suficiente para compreender Robert e os seus motivos e sem querer alvitrar ou tirar conclusões sobre o que se terá passado, Kate Summerscale nada tem a acrescentar à história de Robert e Nattie.

Embora seja de elogiar a investigação cuidada e extensa que a autora levou a cabo para a construção deste livro, permitindo-lhe enchê-lo de detalhes e minúcias históricas, é de lamentar que grande parte destes detalhes em nada contribuam para a narrativa central; não servem sequer para enriquecer os personagens, todos eles - e apesar de serem verídicos - pouco realistas e sem profundidade.

Não é portanto de estranhar que a minha componente preferida do livro nada tenha a ver com a história central mas sim com os pareceres da imprensa na época. A literatura «barata» começava a ser responsabilizada pela crescente delinquência juvenil, pelo declínio da literatura e da moral; os jornais afirmavam que «as pessoas de tipo evolucionário inferior possuíam uma tendência simiesca para a imitação» (pág. 124) e interpretavam «as atrocidades juvenis como prova da natureza hereditária e inata da criminalidade e da loucura» (pág. 219), expressando-se por meio de frases sensacionalistas como «melhor seria se pudéssemos estrangular tais abortos morais à nascença, como agora fazemos aos físicos» (pág. 175). Em oposição, o Gazette publicava: «no que diz respeito aos efeitos da leitura nos rapazes das classes mais pobres, o mundo encontra-se a braços com uma daquelas peculiares estupidezes ilógicas que o assaltam com tanta facilidade. Em qualquer outra idade ou classe, o homem é considerado responsável pelo que lê, não é a leitura que é responsável pelo homem. Os livros que um homem ou uma mulher leem são mais uma expressão da sua personalidade do que algo que a forma.» (pág. 176).

Tirando esta vertente, «O Rapaz Perverso» foi, para mim, uma desilusão - um daqueles livros que preferia não ter comprado.





'Enjoyable as an atmospheric tale of crime and punishment from a distant era written in lucid, limber prose, “The Wicked Boy” also implicitly raises questions that remain with us today.' - The New York Times





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