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0 Aquista | Opinião


Wook.pt - AquistaO quotidiano das termas na visão elegante, curiosa e cheia de humor de Hermann Hesse. A sua chegada, as suas primeiras impressões, a sua observação dos outros doentes, a sua reacção perante aquele mundo novo onde vai partilhar os seus dias com pessoas tão diferentes – desde o hipocondríaco e pessimista que se manifesta com afabilidade e bom humor, a escolha do quarto, o encontro com o médico, os vizinhos que o importunam pelo simples facto de habitarem ao lado e de haver uma porta de ligação entre os dois quartos devidamente aferrolhada, mas que, obviamente, deixava passar os sons de um comportamento e convivência normais entre o casal – à evolução do seu estado de saúde: primeiro, uma certa satisfação por se encontrar melhor do que os outros, em seguida, a depressão crítica aliada ao agravamento dos seus males e, finalmente, a explosão de vida na afirmação da sua pessoa perante a realidade e a força da natureza. Obra perpassada de bom humor e de pendor filosófico, deleita-nos com a observação acutilante do ambiente que rodeia o próprio autor e que é também, simultaneamente, um retrato, em tom de tragicomédia, do multifacetado mundo que nos rodeia.


Autor: Hermann Hesse
Editor: Difel 
Género: Romance
Páginas: 134
Original: Kurgast (1924) 


💬 opinião
★★★★
«Sois magníficos, tendes orgulho em vós próprios. Mas na realidade não sois nada.»
Ao descrever-nos uma das suas temporadas nas termas, Hermann Hesse pinta, com observações perspicazes e impressões mordazes, um quadro bastante cómico e filosófico sobre a sociedade em que nos enquadramos.

Hesse pondera sobre várias e variadas questões; começa pela nossa triste propensão para nos sentirmos melhor perante a o infortúnio alheio, pondera sobre a ilusão da escolha, questionando se valerá a pena todo o cuidado e paixão que colocamos nas nossas escolhas ou se não seria bem melhor deixar que o acaso tomasse as rédeas, acredita que o sofrimento da alma tem expressão patológica no corpo, irrita-se com a mais do que óbvia hipocrisia humana e frustra-se com a facilidade que temos em aprender o que é mau e estúpido, em adquirir hábitos inúteis e preguiçosos: «horas contra o espírito (…) pecados de tagarelice inútil e estúpida, de concordância preguiçosa e impensada.»

Gostei muito deste livro não só pelo seu conteúdo mas também pelo modo competente com que os pensamentos do autor são partilhados com o leitor.
«a vida não é uma conta e não é uma figura matemática, mas um milagre.»

 frases Preferidas 

«horas contra o espírito (…) pecados de tagarelice inútil e estúpida, de concordância preguiçosa e impensada.»

«Sofri muito durante a minha vida, cometi muitas injustiças, causei-me a mim próprio muita coisa estúpida e amarga, mas consegui sempre salvar-me»

«Oh, felizes esses simplórios, que se amam a si próprios e que podem odiar os inimigos, felizes esses patriotas que nunca precisam de duvidar de si próprios, porque nunca têm a mínima culpa da miséria e infelicidade do seu país, mas sim os Franceses ou os Russos ou os Judeus, qualquer outra pessoa, sempre um outro, um "inimigo"!»

«Amar alguma coisa significa o seguinte para o poeta: aceitar isso na sua fantasia, aquecê-lo e aconchegá-lo aí, jogar com isso, penetrá-lo com a própria alma, dar-lhe vida com o próprio fôlego.»

«Sois magníficos, tendes orgulho em vós próprios. Mas na realidade não sois nada.»

«Porque, exactamente como tenho de mudar constantemente entre comer e jejuar, dormir e estar acordado, tenho também de baloiçar entre naturalidade e espiritualidade, entre experiência e platonismo, entre ordem e revolução, entre catolicismo e reforma. »

«Há dois caminhos para a redenção: o caminho da justiça, para os justos, e o caminho da graça para os pecadores. Eu, que sou um pecador, voltei a cometer o erro de tentar com a justiça. Nunca hei-de conseguir. E ela, leite doce para os justos, é para nós veneno, torna-nos maus. É meu destino ter de voltar constantemente a fazer estas tentativas, estes passos em falso, como também é meu destino no campo espiritual o facto de eu, que sou um poeta, ter de tentar sempre de novo dominar o mundo com o pensamento e não com a arte.»

«a vida não é uma conta e não é uma figura matemática, mas um milagre.»



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