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0 A Divina Comédia | Opinião

A Divina ComédiaLongo poema épico e teológico, A Divina Comédia divide-se em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. Não há uma datação exacta da obra, mas presume-se que tenha sido escrita entre 1304 e 1321, ano da morte de Dante.

A Divina Comédia foi escrita em língua toscana - muito próxima do que hoje se designa por italiano - num registo vulgar, portanto, por oposição ao uso generalizado do latim na escrita erudita. Assim se tornou a obra fundadora da língua italiana moderna.

Em Portugal A Divina Comédia chegou a um universo de leitores alargado através da inexcedível tradução de Vasco Graça Moura. Com mais de seis edições desde a sua primeira publicação, A Divina Comédia conheceu em Portugal um sucesso e uma popularidade extraordinários.


Autor: Dante Alighieri
Editor: Quetzal Editores
Género: Poesia
Páginas: 896


opinião
★★★★★



A Divina Comédia é, sem dúvida, um dos expoentes máximos da literatura internacional. Tenho que admitir no entanto que, apesar do enorme prazer que me deu lê-lo, foi também um processo bastante cansativo e demorado. Embora tenha um enredo relativamente simples, A Divina Comédia constitui uma alegoria bastante complexa e profunda, cuja compreensão exige a nossa completa concentração no texto e algumas consultas paralelas.

Acompanhamos Dante na primeira pessoa através da sua jornada pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, numa viagem de ascensão da alma até Deus. Com uma abordagem bastante imaginativa, Dante mistura personagens mitológicas e históricas para criar um catálogo de pecados e virtudes que, após a morte, podem resultar na condenação ou salvação de uma alma. Apesar da pureza do amor de Deus e de tudo se vergar à sua vontade, o homem mantém a liberdade de agir consoante os seus desejos, corrompendo o amor, direccionando-o de forma errada. Filosofia e teologia são alternadas com comentários políticos e críticas sociais/morais, apontando o dedo a líderes incapazes e à corrupção na Igreja, dando-nos uma imagem da situação de Florença na época e dos conhecimentos científicos reunidos até então.

Inferno foi o meu 'capítulo' preferido embora me pareça que estou a ser muito injusta face à poesia mais elevada de Paraíso. No Inferno de Dante– e também no Purgatório, mas em menor grau – as almas são punidas de acordo com o pecado cometido na terra e eu achei esse tipo de justiça poética, de retribuição divina, mais estimulante. Dante começa a ver o pecado pelo que ele é e torna-se gradualmente insensível ao sofrimento dos espíritos que habitam o Inferno e observar essa diferença no protagonista foi também muito interessante.







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