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0 May Day | Opinião



Features 5 short stories chosen from "Flappers and Philosophers" (1920) and "Tales of the Jazz Age" (1922). 
This title includes: 
"The Diamond as Big as the Ritz";
"The Ice Palace";
"Bernice Bobs Her Hair";
"May Day";
"The Bowl";





opinião
★★★★✩
Em May Day saltamos de perspetiva em perspetiva, escoltando personagens com experiências de vida muito diferentes, reunidas no desorientado e eufórico ambiente do pós-guerra, no início dos anos 20. Embora encare o futuro com entusiasmo, a sociedade norte-americana está mudada, os rapazes que partiram para a guerra já não são as mesmas pessoas, a instabilidade política é agravada pelo confronto de ideias e receio pela infiltração comunista, resultando em tumulto e protesto. Os soldados procuram alguém em quem pôr as culpas, propagando a violência que fez parte das suas vidas nos anos prévios.
“All crowds have to howl. (…) the soldiers don’t know what they want, or what they hate, or what they like. They’re used to acting in large bodies, and they seem to have to make demonstrations. So it happens to be against us.”

Um dos soldados é Gordon. Sem dinheiro nem prospeção de emprego e a precisar desesperadamente de capital, Gordon recorre ao "amigo", Philip, a quem pede dinheiro emprestado. Através de Gordon e Philip, e mais tarde também através de outros personagens, Fitzgerald exibe opostos da sociedade.

Com Gordon e Philip somos apresentados a hipocrisia, injustiça e falsa amizade/companheirismo. Gordon está desesperado e isso é mais do que evidente, até no seu aspeto físico. Philip é egoísta, egocêntrico e exibe um entusiasmo desmedido pela vida boémia. Os problemas de Gordon parecem aborrecer os seus amigos, nada interessados em ouvir sequer as suas preocupações, descreditando o seu drama pessoal. Com Edith entramos na futilidade da época; perfecionista, Edith vive apaixonada pelas aparências. Decide rapidamente que afinal não estava realmente enamorada de Gordon, irritada com as contrariedades que o preocupam. Outro par de soldados, Key e Rose, apesar de não exibirem os melhores escrúpulos, parecem-nos perdidos, sem saber que posição da sociedade lhes compete. É irónico que, tendo o álcool por aparente denominador comum, outro par de jovens faça altercações semelhantes sem ter, no entanto, as mesmas consequências por pertencerem a outro "nível".

Tal como em todos os trabalhos que li de Fitzgerald, a prosa do autor é brilhante e as descrições, como sempre, transportam-nos muito facilmente para as minúcias de um tempo que, não sendo o nosso, conseguimos visualizar sem problema através de um relato vívido e enérgico que dinamiza imenso o livro. Em May Day, particularmente, temos a oportunidade de observar a perícia do autor em intercalar pontos de vista; fazendo progredir com enorme fluidez, o escritor consegue fazê-las convergir de uma maneira que nos parece muito natural.

Com um final muito forte, o compadecimento pela tragédia em May Day não nos é instintivo e o seu impacto pode passar-nos ao lado devido à fraca ligação aos personagens. No entanto, após alguma ponderação sobre o livro como um todo, é possível que acabemos por alterar esta primeira concepção.

May Day é mais um excelente (e forte) comentário político e social de Fitzgerald.



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