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0 A Carícia do Assassino | Opinião


Quando a jovem Morgan Prager regressa casa após um dia de trabalho e encontra a porta de casa entreaberta, fica apreensiva. Ela é uma profiler reputada, está prestes a terminar a tese sobre "psicologia da vítima", vive sozinha em Nova Iorque. Dificilmente se deixará surpreender, pensa. Mas quando entra no apartamento, percebe o quão enganada estava.

Espera-a um cenário dantesco: um rasto de sangue; o seu noivo sem vida, com o corpo dilacerado pelos seus três cães de estimação. É-lhe difícil acreditar que os cães, meigos e treinados, pudessem cometer um crime tão hediondo, mas as provas são irrefutáveis. Destroçada, Morgan tenta localizar os pais do noivo.

O que acontece a seguir vai abalar ainda mais as suas convicções: os futuros sogros não existem, a identidade do homem por quem se apaixonara é um enigma, e ela estava longe de ser a única mulher na sua vida. Para alguém que se dedica a estudar perfis de criminosos e vítimas, a ironia é demolidora. A sua investigação, inicialmente motivada pela curiosidade e o orgulho ferido, ganha uma nova urgência quando se apercebe de que corre perigo de vida.

E não é a única…


Autor: A.J. Rich
Editor: Edições Asa (Março, 2016) 
Género: Thriller
Páginas: 272
Original: The Hand That Feeds You (2015) 

opinião
★★★✩✩
A Carícia do Assassino by A.J. Rich
My rating: 3 of 5 stars

Depois de o encontrar morto no seu apartamento, Morgan descobre que o noivo não era quem ela julgava ser. Bennett mentiu-lhe em relação ao seu nome, ao emprego e em relação a grande parte do que rodeava a sua vida pessoal.

A polícia acredita que foram os cães de Morgan que mataram Bennett, mas, embora tenha algumas dúvidas em relação aos dois cães que acolheu recentemente, Morgan está convencida que a sua cadela Cloud é inocente. Assim, decide começar a investigar por si mesma; Morgan precisa de saber qual a verdadeira identidade deste homem, quais as suas motivações e porque terá mentido.

Este início dá ao livro um alento misterioso que me deixou curiosa logo desde o início A inclusão de um advogado de defesa de animais e de uma preocupação genuína pelo destino destes cães traz uma originalidade interessante ao livro.

O enredo aprofunda-se e torna-se sucessivamente mais interessante a cada nova revelação e consequentes implicações. Nas suas investigações, Morgan encontra outras mulheres possivelmente enganadas por este homem e acaba por se deparar com outro homicídio; a mãe de Bennet não o via há mais de 20 anos e na sua terra natal parece que ninguém irá sentir a sua falta, antes pelo contrário...

Morgan é uma mulher inteligente e desenvolta, mas a cada nova descoberta sente-se mais isolada e assustada. É muito fácil simpatizar com a protagonista de A Carícia do Assassíno não apenas pelos problemas que enfrenta no presente mas também pelos episódios traumáticos que viveu no passado e pela sua dedicação e solidariedade para com os animais. No entanto, a perda do homem que era seu noivo parece atingi-la algo superficialmente. Mesmo descobrindo que Bennett era um mentiroso e um manipulador, a rapidez com que recupera da perda pareceu-me pouco realista (não querendo com isto dizer que gostaria de ver os autores perder demasiado tempo com o sofrimento de Morgan, o que, de uma maneira ou de outra, prejudica sempre um thriller, portanto esta foi provavelmente uma boa escolha por parte dos escritores).

Os conhecimentos de Morgan sobre psicologia criminal são muito interessantes. Curiosa por perceber por que não atravessamos todos a linha que nos separa de um assassino, Morgan dedica a sua vida ao estudo psicológico do homicida, tocando num conceito muito interessante: o altruísmo patológico.

Infelizmente, quando a história se começou a revelar, perto do final, o meu interesse por ela diminuiu bastante. O potencial do livro acabou por não se concretizar como eu esperava e acabei por ficar um bocadinho desiludida: não gostei especialmente do desfecho, mas gostei do percurso até lá chegar.



A.J. Rich é o pseudónimo da dupla formada por Amy Hempel e Jill Ciment. Amy Hempel, autora galardoada, é conhecida pelas suas coletâneas de contos. Em 2006, a sua obra Collected Stories foi considerada um dos dez livros do ano pelo New York Times. Atualmente dá aulas de Escrita em Bennington College e na Universidade da Florida, e faz parte do conselho de administração de duas organizações sem fins lucrativos que visam ajudar cães maltratados. Divide o seu tempo entre Gainesville (Florida) e Nova Iorque. Jill Ciment, também autora de contos, romances e um livro de memórias, foi premiada inúmeras vezes pelas suas obras. É professora na Universidade da Florida, e reside em Brooklyn, Nova Iorque, e também em Gainesville, na Florida.



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