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0 O Príncipe | Opinião

Um tratado clássico sobre a política ou a arte de bem governar que, embora tenha sido escrito no século XVI, mantém toda a sua atualidade, podendo facilmente transpor-se para os dias de hoje. 

Inspirado na figura de César Bórgia e na admiração desmedida que manifestava por ele, Maquiavel faz uma abordagem racional para aconselhar os aspirantes a líderes, desenvolvendo argumentos lógicos e alternativas para uma série de potenciais problemas, a forma de lidar com os domínios adquiridos e o tratamento a dar aos povos conquistados, de modo consolidar o poder. 

Obra de referência e de um pragmatismo radical e implacável.


Autor: Nicolau Maquiavel
Editor: 11 x 17
Género: Ciências Sociais e Humanas > Filosofia
Páginas: 144


opinião
(4/5)

Sem escrúpulos, em O Príncipe, Niccolò Machiavelli analisa e expõe o comportamento que um governador deve adotar para subir ao poder e manter-se no topo. Bem-sucedidos ou completamente arruinados, o escritor serve-se de vários exemplos para fundamentar as suas conclusões - homens que reconheceram a oportunidade gerada pela atribulação e se serviram dela para revelar as excecionais mentes e forças que os colocariam na História.
As relações são de grande importância, «o príncipe» deve garantir que mantém povo e nobres satisfeitos, que controla os seus inimigos e que não se deixa ultrapassar pelos amigos. Machiavelli explica que, na ascensão ao poder, são feitos vários inimigos e que, por ser impossível corresponder às expectativas dos amigos, esta ligação acaba por enfraquecer. Até às forças armadas a que recorre «o príncipe» deverá ter atenção, optando por usar apenas o seu exército sem recorrer ao favor de outros e sem contratar mercenários.

A escolha dos servos mais próximos deve ser também objecto de estudo; «o príncipe» não deve manter por perto homens ambiciosos que se preocupem mais com o seu próprio sucesso do que com o do seu governante, deve procurar homens que possa beneficiar e recompensar, comprando assim as suas fidelidades. À Igreja deve ser atribuído algum poder mas não o suficiente que lhe permita impor-se-lhe e de todos os homens deve esperar que se comportem de forma interesseira, corrupta e encará-los como potenciais traidores.

A imposição pela força é necessária, continua Machiavelli - «when they believe no longer, it may be possible to make them believe by force». É muito importante parecer ser liberal, tendo sempre em mente que a liberdade é, na verdade, perigosa para um governante. Assim, «o príncipe» deve parecer muita coisa mas, no entanto, ser efetivamente algo bem diferente, encarando sem escrúpulos que a virtude é fonte de ruína ao passo que a falta de caráter gera segurança e prosperidade. «for a man who wishes to act entirely up to his professions of virtue soon meets with what destroys him among so much that is evil.»

Niccolò Machiavelli aconselha «ao príncipe» que seja astuto como uma raposa mas forte e temido como um leão, deixando claro que é melhor ser temido do que amado desde que não despolete o ódio - «men have less scruple in offending one who is beloved than one who is feared». Ao povo, deve entreter com festivais e espetáculos e apoiar todas as artes.

Com o seu tom direto e conciso, «O Príncipe» reúne verdades intemporais, tornando-se uma excelente e inquietante fonte de reflexão política.


Frases Preferidas:
«for one change always leaves the toothing for another.» - p. 7
«for men change their rules willingly, hoping to better themselves.» - p. 8
«For, although one may be very strong in armed forces, yet in entering a province one has always need of the doodwill of the natives» - p.8
«and the injured, as has been said, being poor and scattered, cannot hurt» - p. 11
«for time drives everything before it, and is able to bring with it good as well as evil, and evil as well as good.» - p. 14
«men, walking almost always in paths beaten by others, and following by imitation their deeds, are yet unable to keep entirely to the ways of others or attain to the power of those they imitate.» - p. 25
«there is nothing more difficult to take in hand, more perilous to conduct or more uncertain in its success, than to take the lead in the introduction of a new order of things, because the innovator has for enemies all those who have done well under the old conditions, and lukewarm defender in those who may do well under the new.» - p. 27
«the nature of the people is variable, and while it is easy to persuade them, it is difficult to fix them in that persuassion. And thus it is necessary to take such measures that, when they believe no longer, it may be possible to make them believe by force.» - p. 28
«He who believes that new benefits will cause great personages to forget old injuries is deceived.» - p. 38
«yet it cannot be called talent to slay fellow citizens, to deceive friends, to be without faith, without mercy, without religion; such methods may gain empire, but not glory» - p. 40
«Because men, when they receive good from him of whom they where expecting evil, are bound more closely to their benefactor.» - p. 47
«Therefore, if he who rules a principality cannot recognize evils until they are upon him, he is not truly wise; and this insight is given to few.» - p. 67
«And it has always been the opinion and judgement of wise men that nothing can be so uncertain or unstable as fame or power not founded on its own strenght.» - p. 68
«how one lives is so far distant from how one ought to live, tha he who neglects what is done for what ought to be done, sooner effects his ruin than his preservation; for a man who wishes to act entirely up to his professions of virtue soon meets with what destroys him among so much that is evil.» - p. 73
«friendships that are obtained by payments, and not by greatness or nobility of mind, may indeed be earned, but they are not secured, and in time of need cannot be relied upon; and men have less scruple in offending one who is beloved than one who is feared, for love is preserved by the link of obligation wich, owing to the baseness of men, is broken at every opportunity for their advantage; but fear preserves you by a dread of punishment wich never fails.» - p. 80


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