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0 A Paixão do Jovem Werther + Opinião


Romance epistolar com raízes autobiográficas, A Paixão do Jovem Werther foi publicado pela primeira vez em 1774. 

Nas cartas dirigidas ao seu amigo Wilhelm, Werther, um jovem artista extremamente sensível e delicado, descreve a sua vida em Wahlheim, uma pequena aldeia para onde se mudou. Ali Werther conhece Charlotte, uma jovem de incrível beleza que, para grande infortúnio do rapaz, está noiva de Albert, um homem onze anos mais velho. Porém o jovem artista vê-se incapaz de controlar as suas emoções e apaixona-se loucamente por Lotte, dando azo a um dos mais famosos triângulos amorosos da história da literatura ocidental. 

Quando a impossibilidade de ter para si a sua amada se torna dolorosamente insuportável, Werther percebe que existe apenas uma solução, uma solução que fará cair o manto negro da tragédia sobre a pequena aldeia de Wahlheim.

Autor: Johann Wolfgang Goethe
Editor: 11 x 17 [Livro de Bolso]
Género: Romance/Clássico
Páginas: 192

opinião
     (5 em 5)

«muitas vezes, gostaria de abrir uma veia que me concedesse a liberdade eterna.» (p. 107)



Cada vez mais, a morte afigura-se ao jovem Werther como feliz escapatória ao suplício de viver sem a sua amada Lotte. De índole sensível e sonhadora, dramática e romântica, Werther não consegue superar tamanho desgosto; o seu amor torna-se cada vez mais obsessivo, levando-o a seguir por um caminho autodestrutivo.



Com o avançar do tempo, a amizade de Lotte deixa de ser suficiente e a arte, a literatura e a natureza, cuja contemplação tanto prazer lhe oferecia, tornam-se despolidas fontes de entretenimento em comparação com a luminosidade emitida por Lotte. Nada faz sentido sem ela, «e nada mais conheço, nem sei, nem tenho senão a ela!» (p. 115)


A sua existência, cuja narração nos chega de forma fragmentada, através de cartas para o amigo Wilhelm, segue embrutecida pela melancolia e pela dor. Os relatos tornam-se instáveis - ora eufóricos e apaixonados, ora enfadados e desesperados. «Tenho tanto dentro de mim, e o sentimento por ela tudo devora; tenho tanto e, sem ela, tudo se reduz a nada.» (p.124) Werther luta contra os seus sentimentos, sem nunca tentar realmente contrariá-los, por lhe serem tão preciosos, «Rio-me do meu próprio coração - e faço-lhe a vontade.» (p. 112)

O exagero de quem ama desmedidamente, de quem se deixa consumir pelo desespero de não poder ter o que mais deseja, de quem finalmente se deixa vencer pelo cansaço de sofrer... Goethe contrapõe razão e emoção num livro marcado pelo sentimentalismo, cheio de introspeção e debates filosóficos, transmitidos através de uma prosa lindíssima. Sem mácula. Poética.

«Bem-aventurada a criatura que pode atribuir a carência de felicidade a um obstáculo terreno! Não sentes, não sentes que é no teu coração destruído, no teu cérebro destroçado que jaz a tua desgraça, e dessa nem todos os reis da terra te podem libertar.» (p. 132)

Frases Preferidas:
«Mas quem é o homem, para se permitir queixar-se de si próprio?» (p. 23) 
«cheguei à conclusão de que os mal-entendidos e a indolência talvez tragam mais desatinos ao mundo do que a manha e a perfídia.» (p. 24)
«Também é verdade que trato o meu coraçãozinho como uma criança doente: faço-lhe todas as vontades.» (p. 27) 
«isto do género humano é uma coisa bem monótona. A maior parte dos homens emprega quase todo o tempo a viver, e o pouco que lhes resta de liberdade amedronta-os de tal modo que procuram por todos os meios ver-se livres dele. Que destino, o do homem!» (p. 28) 
«Quando uma desgraça ou algo horrível nos surpreende no meio do prazer, é natural que nos deixemos impressionar mais fortemente do que é habitual, em parte devido ao contraste que assim se faz sentir com intensidade, mas sobretudo porque a recetividade dos sentidos está bem desperta, acolhendo com facilidade as impressões.» (p. 46) 
«Desde então, o céu, a lua e as estrelas podem pacatamente entregar-se ao seu afazer, que eu não sei se é dia ou noite, o mundo inteiro esvai-se em meu redor» (p. 49) 
«Um imenso horizonte crepuscular repousa diante da nossa alma, nele se dilui o nosso sentir tal como os nossos olhos, e ansiamos por - ah! - por lhe abandonar todo o nosso ser e nos deixar satisfazer pela volúpia de um sentimento único, grande, magnífico. E, quando corremos para lá, quando o ali se torna aqui, então o antes é como o depois, e eis que vemos a nossa pobreza, as nossas limitações, e a nossa alma tem sede do bálsamo que lhe fugiu» (p. 50) 
«Deus de bondade que estais no Céu, o que vês são crianças velhas e crianças novas, nada mais, e há muito que teu Filho anunciou quais te dão mais alegria.» (p. 52) 
«passa-se com o mau humor exatamente o mesmo que com a indolência (…) É para aí que a nossa natureza tende e, no entanto, quando conseguimos força suficiente e ganhamos coragem, o trabalho sai-nos facilmente e a atividade torna-se um verdadeiro prazer.» (p. 55)
«Não basta já não sermos capazes de nos fazermos felizes uns aos outros, teremos ainda de roubar a nós mesmos o prazer que cada coração às vezes pode conceder a si próprio?» (p. 56) 
«Ai daqueles que se servem do prazer que têm sobre um coração para o privar das alegrias simples que dele brotam espontaneamente.» (p. 57)
«Como me torno precioso a meus próprios olhos. Como me adoro desde que ela me ama!» (p. 62) 
«todos os homens que realizaram qualquer coisa de grandioso, que parecia impossível, sempre foram declarados ébrios e loucos.» (p. 73) 
«a ninguém neste mundo é fácil compreender o outro.» (p. 77) 
«Pobre louco, que tudo respeitas tão pouco por tão insignificante seres!» (p. 79) 
«pequenas gentilezas próprias de amigos, mil vezes mais valiosas do que aqueles presentes ofuscantes com que a vaidade do oferente nos humilha.» (p. 82) 
«comparamos tudo connosco e a nós próprios com tudo, pelo que a felicidade ou o infortúnio estão nas coisas com que nos pomos em confronto.» (p. 94) 
«Não há no mundo alegria mais verdadeira e intensa do que ver uma grande alma que se abre aos outros.» (p. 95) 
«não consigo compreender o género humano: é tão reduzido o seu senso que se prostitui com trivialidades.» (p. 97) 
«A paz da alma é uma coisa magnífica, é a alegria em si mesma.» (p. 102)
«São poucos os pedaços de terra de que o homem precisa para gozar a vida, e menos ainda para repousar debaixo dela.» (p. 110) 
«Também lamento que me aprecie a inteligência e os talentos mais do que este coração, quando ele é todo o meu orgulho, fonte única de tudo, de toda a energia, ventura e desgraça. Ah!, aquilo que eu sei qualquer um pode saber - o meu coração só a mim pertence.» (p. 111) 
«Rio-me do meu próprio coração - e faço-lhe a vontade.» (p. 112) 
«e nada mais conheço, nem sei, nem tenho senão a ela!» (p. 115) 
«Nós, as pessoas cultas - deformadas pela cultura, e para nada!» (p. 117) 
«Tenho tanto dentro de mim, e o sentimento por ela tudo devora; tenho tanto e, sem ela, tudo se reduz a nada.» (p.124) 
«Respeito a religião, bem o sabes, sei que é como um cajado para muitos que caem, extenuados, e lugar de refrigério para os sequiosos.» (p. 127) 
«leio qualquer poeta de outros tempos e parece-me ver o meu próprio coração.» (p. 129) 
«Bem-aventurada a criatura que pode atribuir a carência de felicidade a um obstáculo terreno! Não sentes, não sentes que é no teu coração destruído, no teu cérebro destroçado que jaz a tua desgraça, e dessa nem todos os reis da terra te podem libertar.» (p. 132)

«é característico do nosso espírito pressentir confusão e trevas sempre que não há certezas.» (p. 147)

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