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0 O Pai Goriot + Opinião

  Um estudo inteligente e reflexivo da burguesia após a Revolução Francesa, e das duas grandes obsessões humanas - o amor e o dinheiro -, O Pai Goriot de Balzac faz parte da imortal série A Comédia Humana.
  Eugène quer subir na vida. Assim, vai para Paris, onde as ruas estão repletas de vigaristas, criminosos e oportunistas sociais, todos a tentarem vencer na vida. Quando Eugène arranja alojamento numa pensão pobre, vê um plano potencial para fazer fortuna: as duas belas mulheres aristocráticas que vêm misteriosamente durante a noite visitar o velho e solitário hóspede Goriot.
  Será que elas poderiam dar-lhe a posição e a aceitação por que ele anseia? No entanto, na cidade nada é o que parece. Depressa Eugène se vê mergulhado num mundo de ganância e obsessão que nunca teria sequer imaginado - um mundo que só pode terminar em tragédia.

Autor: Honoré de Balzac
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 264

opinião
My rating: 5 of 5 stars
 (5 em 5)
«Em verdade vos digo: infelizmente, este drama não é nem ficção nem romance. All is true: é tão verídico que cada um lhe poderá reconhecer os elementos no seu foro íntimo e porventura no próprio coração.» (p. 20)

Em «O Pai Goriot», Honoré de Balzac retrata mais uma vez a degenerada sociedade parisiense do século XIX. Numa narrativa nada difícil de acompanhar, o autor passa por dramas familiares, tragédias económicas, esquemas criminosos, romances verdadeiros e aproximações oportunistas.

Goriot investiu o seu dinheiro no casamento das duas filhas com homens de relevância social. Pai dedicado, Goriot fez tudo ao seu alcance para garantir a felicidade das filhas, filhas essas que, no entanto, vivem centradas nos seus problemas pessoais e desprezam as atenções e bem-estar do pai, sabendo que podem contar sempre com a sua total atenção, afecto e, ainda mais importante, ajuda. Esta ajuda não tarda a assemelhar-se cada vez mais a sacrifício. Goriot compromete a sua qualidade de vida para que as filhas possam manter as aparências de damas da sociedade a todo o custo, secando o pai não apenas de dinheiro mas também de saúde.

Em simultâneo, acompanhamos Eugène, um jovem ambicioso e oportunista que se vê atraído pelo glamour da sociedade, na qual tanto deseja entrar, mas que é simultaneamente repudiado pelos comportamentos e ganância exibidos pelos mais abastados, revelando, no fundo, um bom coração.

O dinheiro, ou falta dele, tem neste livro enorme importância, sendo constantemente mencionado como condicionante em todas as situações. Também Goriot se revelou, embora insuspeito, demasiado ambicioso para as filhas; ao atrair os genros com dinheiro acabou por atrair o tipo errado de pessoa e oferecer às suas filhas casamentos que, sim, lhes trouxeram estatuto, mas que também lhes trouxeram muita infelicidade e sofrimento.

Além de ser mais um excelente retrato da época este é também um livro de conteúdo pertinente que nos provoca as ideias; quanto de nós mesmos estamos dispostos a comprometer para podermos «fazer parte de...»?!


«a felicidade é a poesia das mulheres, assim como o atavio é o seu cosmético.» (p. 30)
«Se o coração humano encontra remansos ao atingir as alturas do afecto, raramente se detém na encosta empinada dos sentimentos de aversão.» (p. 38)
«É preciso dirigir-nos sempre ao topo. Quando se tem em vista alguma coisa no céu, é preciso apontar para Deus!» (p. 74)
«as vias tortuosas não levam a nada que seja elevado.» (p. 98)
«Os bons amigos fazem boas contas.» (p. 105)
«Sou um grande poeta, as minhas poesias, não as chego a escrever. Consistem em acções e sentimentos.» (p. 113)
«Um homem que se gaba de nunca mudar de opinião é um homem que cisma ir sempre em linha recta, um néscio que acredita na infalibilidade.» (p. 116)
«não se racha ao meio a virtude: ou está presente de corpo inteiro ou não está presente.» (p. 117)
«Não quero pensar em nada, que o coração é um bom guia.» (p. 119)
«Mas os nossos belos sentimentos não serão por sua vez poesias de vontade?» (p. 134)
«Os afectos do homem encontram a sua satisfação no mais ínfimo círculo, tão plenamente como no âmbito de uma imensa circunferência.» (p 137) 
«A natureza das mulheres permite-lhes provar o impossível por meio do possível e destruir a lógica dos factos por meio de pressentimentos.» (p. 147)
«Não; as mulheres são sempre sinceras, mesmo no seio das suas maiores falsidades, porque cedem a um impulso natural.» (p. 154)
«Há na vida situações em que tudo é amargura.» (p. 230)
«Via o mundo como um oceano de lama em que um homem mergulhava até ao pescoço se lá punha o pé.» (p. 236)
«Talvez o amor não seja mais do que o reconhecimento do prazer.» (p. 237)
«(...) mas nos seus olhos cintilou um lampejo de orgulho e ele teve a deplorável coragem de guardar segredo sobre os seus mais nobres sentimentos.» (p. 239)
«Por muito mal que te digam do mundo, acredita que é verdade!» (p. 242)



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