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0 O Estranho Caso de Benjamin Button + Opinião


  Na génese deste conto publicado pela primeira vez em 1922 terá estado, segundo F. Scott Fitzgerald, uma observação de Mark Twain em que o escritor lamentava que a melhor parte da vida fosse ao início e a pior no fim. Assim nasceu Benjamin Button, mas, como o leitor poderá começar a adivinhar, para grande desgosto e estupefacção de todos os envolvidos, o «pequeno» Benjamin vem ao mundo com a aparência, o tamanho e as peculiaridades de um homem de 70 anos…
  O Estranho Caso de Benjamin Button inspirou uma adaptação ao grande ecrã.

Autor: F. Scott Fitzgerald
Editor: Editorial Presença (2009)
Género: Romance/Conto
Páginas: 76
Original: The Curious Case of Benjamin Button (1922) [Goodreads]

opinião
'O Estranho Caso de Benjamin Button' é um dos livros que me ofereceu mais prazer a contemplar as implicações do seu conteúdo do que propriamente a lê-lo.

Este livro é a narrativa apressada das memórias de vida de Benjamin; voando sobre as diversas fases da sua vida, sem perder tempo, debruçando-se apenas sobre o essencial. A excêntrica particularidade destas memórias é que a vida de Benjamin decorreu no sentido inverso: nasceu idoso e à medida que 'envelhece' fica cada vez mais novo.

Mas não nos devemos deixar enganar por esta aparência bizarramente caricata; a história de Benjamin Button é, na verdade, bastante melancólica. Apesar de levar uma vida normal em relação aos objectivos comuns - trabalho, casamento e paternidade - Benjamin é incompreendido por todos os que o rodeiam. Infelizmente, parece nunca estar na fase certa, primeiro é demasiado velho para despertar o interesse do seu pai e depois é demasiado novo para desempenhar ele próprio o papel de pai.

Mesmo passado o vergonhoso escândalo inicial, ninguém parece aceitar realmente Bejamin, excepto na meia idade, quando a sua verdadeira idade está mais próxima daquela que deveria exibir. Benjamin é apreciado apenas quando age como é suposto, quando parece normal aos olhos dos outros. A própria esposa, amargamente revoltada, acusa-o de querer ser diferente...!

Fitzgerald escreveu uma pequena história onde a idade é a condicionante máxima; independentemente das experiências que viveu no passado, os gostos e interesses de Benjamin avançam (ou recuam?) de acordo com a sua idade, tornando-se mais imaturo a cada dia que passa. Assim, também as pessoas de quem se rodeia vão mudando, deixando-nos com a sensação de que, durante toda uma vida, Benjamin não conseguiu ligar-se verdadeiramente a alguém. 

Como disse, o meu interesse neste livro vem do facto de me obrigar a pensar sobre vários temas como a passagem do tempo, o que este traz e também o que leva, sobre a trágica inevitabilidade da morte. Estas sensações, transmitidas ao longo da leitura, são exacerbadas pela rapidez com que o autor avança pela vida de Benjamin - lemos uma vida inteira num relativamente curto conjunto de minutos - e também pela existência de um prazo exacto para a vida do protagonista - a partir do dia em que Benjamin nasce inicia-se uma contagem decrescente de 70 anos. 

Gostei desta viagem pela vida em sentido contrário, mas gostaria de ter visto o conceito ser desenvolvido com maior profundidade, de uma maior aproximação a Benjamin e de observá-lo a ponderar sobre a sua condição extraordinária



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