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0 Venenos de Deus, Remédios do Diabo + Opinião

  O jovem médico português Sidónio Rosa, perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua amada. 
  Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum dia? Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os segredos e mistérios, as histórias não contadas de Vila Cacimba — a família dos Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência e sua Esposinha, a misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as flores do esquecimento.

Autor: Mia Couto
Editor: Caminho
Género: Romance
Páginas: 200

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opinião
My rating: 3 of 5 stars
Adorei a prosa! Mia Couto já antes me tinha encantado com a astúcia com que esconde punhados de sabedoria por detrás de umas quantas frases de exímia construção. O cuidado que dedica a estas elocuções e o significado que delas se desprende, conduzindo-nos à reflexão, são, só por si, justificativa para a leitura dos seus livros. Adorei o sabor que acompanha o vernáculo; a comicidade empregada em algumas cenas de diálogo…

Infelizmente, não consigo colocar o enredo em tão estimada conta. Directamente, com as suas camadas de farsa e mentira envoltas em mistério e misticismo, este não cativou o meu interesse e, indirectamente, pareceu-me que Mia Couto quis falar-nos de uma complexidade que não coube satisfatoriamente, para mim, nestas 196 páginas.



"Ficar vivo não é viver"

"Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos."

"(…) não existe o ter vivido. Viver é um verbo sem passado."

"- Cure-me de sonhar, Doutor.
- Sonhar é uma cura.
- Um sonhadeiro anda por aí, por lonjuras e aventuras, sei lá fazendo o quê e com quem... Não haverá um remédio que me anule o sonho?"
"- Sonhar me deixa muito cansado. Dá um trabalhão danado, sonhar"

"Viver é que não tem cura, caro amigo."



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