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1 Os aromas do amor + Opinião



  Procuro a combinação perfeita de aromas; o sabor que eras tu. Se o encontrar, sei que voltarás para mim.
  Passaram-se 18 meses desde a morte de Joel, o marido de Saffron, e o culpado nunca foi descoberto.
Agora, fazendo os possíveis para lidar com a perda, Saffron decide terminar Os Aromas do Amor, o livro de receitas que Joel tinha começado a escrever antes da sua trágica morte.
Quando, finalmente, tudo parece ter voltado à normalidade, a filha de 14 anos de Saffron faz uma revelação chocante que abala a relação entre ambas. E, ao mesmo tempo, cartas misteriosas lançam uma nova luz sobre a morte de Joel.
  Será um grande amor capaz de sobreviver à maior das perdas


Autor: Dorothy Koomson
Editor: Porto Editora (Maio, 2014)
Género: Romance
Páginas: 472

Original: The Flavours of Love (2013) [Goodreads] [Wook]

   

Opinião
My rating: 5 of 5 stars

'O meu marido foi assassinado (…). A questão é que eu sei quem foi, e julgo saber porquê, mas não posso contar à polícia. A única coisa que lhe posso dizer é que ele ficou a esvair-se em sangue sozinho na beira de uma estrada (…)' (pág. 112)

Adorei este livro!. A forma como a autora criou uma fusão entre o suspense de um homicídio e a dor da perda de um ente querido bem como a abordagem de tantos tipos de amor - por um homem, por amigos, pelos filhos e por outros familiares, acabou por resultar numa combinação perfeita.

Há 18 meses que Saffron é rotulada como 'A Mulher Cujo Marido Foi Assassinado E Nunca Apanharam O Assassino' ...Há 18 meses que vive entorpecida e angustiada, lutando para ser competente no trabalho, manter as finanças domésticas controladas e preservar a estabilidade emocional dos filhos; Zane, de 10 anos, e Phoebe de 14.
Vivo num torpor constante, como que rodeada de camadas de algodão e gaze, como se a vida fosse filtrada por essas grossas camadas, impedindo-me de experimentar as coisas em pleno.' (pág. 44)

Dorothy Koomson foi extremamente competente a transferir para o papel as introspecções de uma viúva atormentada, de uma mulher com as necessidades próprias do sexo feminino e de uma mãe que lida com a complicada fase da adolescência e que se vê agora confrontada com um novo drama familiar - a gravidez da filha. Os receios de Saffron em relação ao futuro são brilhantemente intercalados com as alegrias experimentadas no passado e com as suas interpretações sobre o presente que a rodeia. Assim, o livro transforma-se num interessantíssimo rolar de episódios com igual capacidade para entristecer, enternecer, divertir ou revoltar o leitor.

Apesar de perdida e desamparada, de ter que lidar e viver de acordo com a reacção dos outros à sua dor e de se recriminar constantemente por ser uma 'má mãe', Saffron continua a lutar, sem desistir, pelos filhos - uma referência com a qual penso que qualquer mãe se conseguirá identificar - mesmo que para Saffron isso signifique por vezes limitar-se a sobreviver a um dia de cada vez.
'Quem sou eu neste momento? Ah, sim, uma viúva com uma filha adolescente grávida. Uma daquelas mães despistadas que toda a gente condena.' (pág. 101)

A tudo isto junta-se o mistério lançado logo no prólogo sobre o assassinato do marido, a possível causa e identidade do assassino. Mistério este que se vai agigantando ao longo do livro, com a chegada de várias cartas anónimas, e nos prende a ele com enorme interesse...
'Os monstros existem. São bem reais.' (pág. 79)

Um comentário:

  1. Um livro espantoso. É uma novidade a cada página. Adoro esta vertente quase policial desta escritora

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