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0 A Marca de Todas as Coisas + Opinião

  Um romance envolvente e magnífico acerca do desejo, da ambição e da sede de conhecimento da autora de Comer, Orar, Amar. Uma história de amor, aventura e descoberta que atravessa grande parte dos séculos XVIII e XIX. O livro segue o destino de Alma Whittaker, filha de um ousado e carismático investigador botânico, que também se apaixona pelas plantas e pela ciência. 
  À medida que os estudos de Alma a levam mais fundo nos mistérios da evolução, o homem que ela ama arrasta-a na direção oposta, para o reino do espiritual, do divino e do mágico. Alma é uma cientista de mente clara; Ambrose é um artista utópico. Mas aquilo que realmente os une é uma paixão partilhada pelo saber, uma necessidade desesperada de compreender a maneira como o mundo funciona e os mecanismos inerentes à vida. Com uma investigação apurada e um ritmo imparável, este romance ambicioso atravessa o globo - de Londres ao Peru, a Filadélfia, ao Taiti e a Amesterdão. 
  Pelo caminho, vai sendo povoado de personagens inesquecíveis: missionários, abolicionistas, aventureiros, astrónomos, capitães de navios, génios e loucos. Mas a mais memorável das histórias é a de Alma, que é testemunha de um momento extraordinário da história da humanidade, em que as velhas certezas acerca da ciência, da religião, do comércio e de classe se desmoronavam e davam lugar a novas ideias. Escrita com o espírito ousado e inquisitivo da época, a história sábia, profunda e encantadora de Gilbert irá seguramente cativar a mente e o coração dos leitores…

Autor: Elizabeth Gilbert 
Editor: Bertrand Editora (Junho, 2014)
Género: Romance
Páginas: 624
Original: The Signature of All Things (2013) [Goodreads] [Wook]


opinião
My rating: 3 of 5 stars

'A Marca de Todas as Coisas' é um trabalho ambicioso que nos escolta através de uma viagem não só entre continentes mas atravessando mentalidade e ideais, alastrando-se ao longo do século XIX, uma época de mudança e progresso em que o conhecimento era activamente perseguido e o homem começava a virar-se para a Natureza em busca de respostas.

Desde muito jovem, Alma foi exposta a uma vasta quantidade de informação; a propriedade da família estava frequentemente cheia de intelectuais e tanto a mãe como o pai da curiosa e determinada Alma faziam questão que ela fosse estimulada a potenciar todo o conhecimento que absorvesse. Infelizmente, a vida ditaria para Alma uma existência pacata, presa na casa em que nasceu, sem conhecer o amor, durante grande parte da sua vida.

Aos 48 anos Alma é reconhecida no mundo Botânico, sendo autora de diversos artigos publicados, especialmente sobre o estudo de musgos. Alma sempre acreditou no argumento como único caminho para a verdade, mas a entrada de Ambrose na sua vida obriga-a a colocar o universo místico na equação. Apaixonada, Alma casa com Ambrose, apenas para se desiludir mais uma vez.

Elizabeth Gilbert misturou o mundo ficcional com o real de forma muito subtil e agradável. Gostei muito do estilo com que a autora escreve, simples mas de construção impecável, enriquecendo a narrativa com descrições muito eficientes.

A inclusão de temas variados enche o livro de conteúdo interessante, contudo, a quantidade dos mesmos acaba por impedir a autora de os abordar de forma realmente satisfatória. Além disso, removendo o que rodeia direta/indiretamente Alma, cheguei à conclusão que a personagem, em si, não conseguiu conquistar a minha empatia. É-me difícil simpatizar com uma mulher tão inteligente mas que opta deliberadamente por se ignorar a si própria. Uma mulher que vive para o conhecimento mas que depois não partilha a sua teoria mais audaz, uma teoria que passou toda a vida a construir mas que se recusa a postular, inutilizando grande parte da sua existência intelectual.

Por último, como esta teoria é rodeada por uma atmosfera que grita «trabalho de uma vida», irritou-me que o final fosse despachado com a teoria de Darwin como a conhecemos e que o que ficou compreensivelmente por responder o tivesse sido com a desculpa de que um cientista não pode responder de uma só vez a toda uma questão, deve parti-la em pequenas questões e ir adicionando informação…

No final, o que gostei acaba por compensar o que não me agradou - gostei do livro mas não consigo reagir entusiasticamente ao mesmo.





✏ Elizabeth Gilbert nasceu no Connecticut em 1969. É autora de Pilgrims, uma colecção de contos nomeada para o prémio PEN/Hemingway, de Stern Man e de The Last American Man, nomeado para o National Book Award e para o National Book Critics Circle. Trabalhou na revista GQ e foi nomeada três vezes para o prémio National Magazine pela peculiaridade da sua escrita. Vive em Nova Jérsia com o marido, e está a prepar o seu próximo livro, acerca do casamento.

✏ Em Portugal estão editados: 'Comer, Orar, Amar', 'Filha do Mar', 'Comprometida', 'O Último Homem Americano', 'Peregrinos' e 'A Marca de Todas as Coisas'.

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