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0 A Amante do Papa + Opinião

  Filha do duque de Milão e mulher do conde Girolamo Riario, Catarina Sforza foi a guerreira mais corajosa do Renascimento italiano. Governou os seus territórios, travou as suas lutas e teve sempre os amantes que lhe apeteceu, sem consequências até ter um caso com Rodrigo Bórgia. A sua história notável é contada pela dama de companhia, Dea, uma mulher conhecida por ler as cartas de sorte. Enquanto Dea tenta descobrir a verdade sobre o assassínio do marido, Catarina, sozinha, rechaça os invasores que tentarão roubar-lhe o título e as terras.
  No entanto, Dea lê as cartas e estas revelam que Catarina não pode fazer frente a um terceiro e último invasor: César Bórgia, filho do corrupto papa Alexandre VI, que tem umas velhas contas a ajustar com Catarina. Encurralada na fortaleza de Ravaldino enquanto os canhões de Bórgia atingem as muralhas, Dea passa em revista o passado escandaloso e os combates de Catarina para compreender o destino de ambas, e Catarina tenta corajosamente aniquilar o exército inexpugnável de Bórgia.

Autor: Jeanne Kalogridis
Editor: Editorial Planeta (Abril, 2014)
Género: Romance
Páginas: 464
Original: The Scarlet Contessa: A Novel of the Italian Renaissance (2010) [Goodreads] [WOOK]

opinião
A Amante do Papa by Jeanne Kalogridis
My rating: 3 of 5 stars

Num livro de ficção histórica faço sempre questão de averiguar o que é realidade e o que é invenção, o que é relato e interpretação e o que é trabalho extra de pura imaginação. Assim, em 'A Amante do Papa', adorei a crónica da vida de Catarina Sforza mas debati-me com a forma como a autora optou por complementar a narrativa.

Não há dúvida nenhuma que Catarina Sforza é uma personagem histórica de extremo interesse - uma mulher ambiciosa, corajosa e determinada que insistiu em desempenhar papeis reservados ao género masculino, no seu tempo, que lutou ferozmente tanto para defender o que lhe pertencia como para conquistar o que cobiçava e que teve inclusivamente a audácia de desafiar e enfrentar os Bórgias.

Da mesma forma, não me ficaram dúvidas em relação à competência da autora, especialmente no que toca à sua magnífica atenção ao detalhe, permitindo-lhe desenvolver ambientes e cenários fabulosos e caracterizar muito habilmente as suas personagens.

Foi a forma como Jeanne Kalogridis optou por construir e desenvolver a sua narrativa que veio roubar um bocadinho ao meu prazer de leitura. Primeiro porque preferia que a narrativa fosse abordada ou do ponto de vista da própria Catarina ou então por um narrador imparcial ao invés de uma personagem fictícia - Dea - que acaba por subtrair à credibilidade da narração devido à sua adoração cega por Catarina.

A história de Dea não despertou o meu interesse como o fez a de Catarina. Nem mesmo a sua suposta participação/influência nas decisões de Catarina me levaram a pensar que ela veio enriquecer, de alguma forma, a história. Além disso, aborrece-me pessoalmente ver o sobrenatural ganhar tanta importância num livro de ficção histórica; gosto de ver descritas as crenças da época e respetiva contextualização, aprecio a descrição dos rituais e das práticas executadas na altura mas o tipo de crédito que foi dado neste livro à cartomancia e ao poder pressagiador das visões de Dea, em que todas as previsões eram confirmadas mais tarde através de acontecimentos, incomoda-me.

Gostei bastante de rever a história de Catarina Sforza, em 'A Amante do Papa' e gostei da interpretação da autora em relação às acções desta mulher, tendo sempre em conta o contexto histórico e o panorama político da altura. Jeanne Kalogridis manipulou bem a complexa história que tinha em mãos - uma cheia de intriga e ambição - que se desenrolou no interessantíssimo e tumultuoso cenário renascentista. Gostei do modo como abordou os conflitos entre as poderosas famílias italianas, sedentas de mais poder, e de ver como cada uma das personagens, de uma forma ou de outra, acabou por influenciar o desfecho.

Sobre a autora...
Jeanne Kalogridis vive com o companheiro na Califórnia, onde partilham a casa com dois cães. É autora de inúmeros romances históricos e fantásticos. A autora costuma escrever, também, sob o pseudónimo J. M. Dillard. Das suas obras destacam-se a série Star Trek ou O Fugitivo, adaptados ao cinema e à televisão com um enorme sucesso.
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