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0 O Olhar de Sophie + Opinião



  Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente.
  Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo – a família, a reputação e a vida.
  Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro…
  Até onde estará disposta Liv a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?

Autor: Jojo Moyes [site oficial] [facebook] [twitter]
Editor: (Março, 2014)
Género: Romance
Páginas: -
Original: The Girl You Left Behind (2012) [Goodreads] [WOOK]
   

Opinião


My rating: 4 of 5 stars

Mais do que a história de um quadro, O Olhar de Sophie é a história de uma família, dos seus segredos e transgressões.
Em 1916 a França é ocupada pelos alemães; Sophie vê o marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista da Académie Matisse, partir para combater na Frente deixando-a com os irmãos a lutar para sobreviver numa vila racionada e brutalizada, devastada e isolada do resto do país. Sophie é obrigada deixar o inimigo entrar na sua própria casa quando fica responsabilizada por alimentar os soldados alemães no seu estabelecimento. Um comandante alemão muito interessado em arte e na vida que um artista levaria em Paris antes da guerra, questiona Sophie sobre o seu marido e sobre o trabalho do mesmo, apaixonando-se pelo quadro que Édouard pintou da sua esposa…e, mais tarde, pela mulher nele retratada. É este mesmo quadro que, um século depois, se encontra na parede de Liv, em Londres, até ser reclamado pelos seus herdeiros que se fazem valer da Convenção para a Proteção dos Bens Culturais em caso de Conflito Armado para garantir o seu direito ao quadro. Como se não bastasse, o homem encarregado de localizar a obra de arte é o mesmo que consegue arrancar Liv do torpor que é a sua vida após a morte do marido.

Sophie é uma personagem apaixonante! A sua dedicação à família é incondicional e comovedora, tentando manter todos unidos e o mais confortáveis possível, mesmo que isso signifique o sacrifício do seu próprio bem-estar. Apesar das dificuldades, Sophie tenta ser sempre justa com todos, mesmo quando isso contraria os seus princípios. Forte e frágil ao mesmo tempo, Sophie enfrenta os seus medos com coragem, sempre otimista em relação ao carácter das pessoas e sempre com o marido no seu coração.

Gostei imenso de ler sobre a ocupação alemã, sobre o tipo de exigências cruéis feitas aos franceses e o desrespeito e o ódio que os alemães tinham por estes cidadãos numa altura em que as pessoas eram condenadas por tentarem ser humanas e os próprios conterrâneos se revelavam intolerantes e injustos para com os seus.

Moyes consegue transmitir muito bem ao leitor tanto os sentimentos das personagens, através de diálogos e linguagem corporal, como o ambiente que os rodeia. Conseguimos sentir a revolta crescente e frustração de Aurélian, o medo de Heléne, a esperança e otimismo de Sophie, a dor e solidão de Liv…

As personagens femininas são um trunfo neste livro. Tal como Sophie, Liv luta por aquilo que acredita e, tal como ela, sofre com a ausência do marido e com o extravio de si própria, desejando voltar a ser a rapariga que foi um dia mas sem energia para contrariar a situação. Finalmente, quando conhece Paul, Liv volta a ansiar pelo futuro, mas apenas para se ver desiludida mais uma vez.

Gostei bastante de O Olhar de Sophie e negativamente tenho apenas a apontar a brusquidão com que a autora passa de um núcleo de personagens (1916) para o outro (contemporâneo). Acabei por me sentir ligeiramente desamparada e perdi um bocadinho o ritmo até acertar com as 'novas' personagens, mas quando recuperei voltei a tirar novamente imenso prazer da leitura deste livro. 



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