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0 Jane Eyre + Opinião


   Escrito por Charlotte Brontë e publicado pela primeira vez em 1847, este clássico da literatura inglesa
combina, de uma forma magnífica, ingredientes da literatura gótica com paixão, mistério e suspense.
  Jane Eyre, órfã de pai e mãe, recebe uma educação severa, primeiro na casa da tia Reed, que detesta, e depois na escola Lowood. Esta infância solitária e infeliz fortalece-lhe o espírito e a independência, que serão postos à prova quando Jane se torna preceptora da jovem Adèle em Thornfield Hall. É aí que Jane e o Sr. Edward Rochester se apaixonam. No entanto, um segredo terrível separa-os, obrigando Jane a fazer uma escolha…

Autor: Charlotte Brontë
Editor: Livraria Civilização Editora
Género: Romance
Páginas: 528
Original: Jane Eyre (1847)

Opinião:

My rating: 5 of 5 stars

"Tinha a certeza de que, se soubessem a história da minha vida anterior, fariam com ela um romance delicioso." - p. 435

…E foi exactamente o que Charlotte Brontë fez com a história de Jane: um romance absolutamente delicioso!...

Jane Eyre é agora uma das minhas heroínas preferidas - uma jovem inteligente que luta com coragem pela independência sem, no entanto, comprometer a sua integridade. Jane luta sozinha e apaixonadamente, por vezes até contra ela própria, para fazer valer as suas convicções e vontades. Claro que o melhor em Jane Eyre é que nada disto nos é dito; assistimos à lenta construção e desenvolvimento do carácter de Jane à medida que a acompanhamos nas diversas fases da sua vida, desde a terrível infância marcada pela solidão, pela injustiça e pela crueldade, passando pelas diversas dificuldades que teve que enfrentar, inclusivamente a perda de alguém que lhe era muito querido, até ao conflito entre aquilo que realmente deseja e aquilo que é certo, levando-a ao sacrifício de abdicar do seu grande amor.

A cada passo, Brontë vai esculpindo Jane, enfatizando os seus defeitos como se quisesse levar-nos a desgostar dela, a antipatizar com o seu feitio, mas conseguindo exatamente (e muito inteligentemente!) o contrário. Insistindo em dizer que é feia e apagada, Jane mostra, numa narrativa muito pessoal, como na verdade é intensa, generosa e belíssima por dentro. Não fosse a capacidade de perdoar um dos mais elevados predicados da espécie humana.

Os cenários vão mudando, juntamente com as personagens que rodeiam Jane e a própria se altera, desenvolve, amadurece. Jane é, sem dúvida, a alma deste livro, mas Mr. Rochester reúne algumas das minhas características preferidas num personagem: um homem que deixa a mágoa do passado manchar-lhe a disposição no presente, enigmático, expondo-se bruto, grosseiro e taciturno mas deixando entrever um coração sensível...
"Quando o destino se me tornou desfavorável, não abracei o bom critério de permanecer calmo. Desesperei-me. Depois degenerei."

Além da escrita que é para lá de formidável - rica, melodiosa e poética - fiquei encantada, e devo admitir, surpreendida, com o tom moderno da narrativa. Modernidade esta que se estende também ao tema religioso e social, tendo em conta a época em que o livro foi escrito. A Natureza, tal como em Emily Brontë, está sempre simbolicamente presente, pressagiando ou simplesmente fabricando as fantásticas atmosferas que Charlotte nos cria em Jane Eyre.

Jane Eyre, personagem e livro, ambos inesquecíveis!

Frases Preferidas...
"A vida parece-me demasiado curta para a gastarmos a alimentar animosidades ou a registar ofensas."  
"Tens um conceito elevado de mais acerca do amor dos seres humanos." 
"Não creio, senhor, que tenha o direito de me dar ordens, apenas por ser mais velho do que eu, ou por conhecer melhor o mundo. A superioridade eu o senhor reivindica depende do uso que tenha feito do seu tempo e da sua experiência." 
"(…) como outros pecadores, gosto de lançar metade da culpa sobre a pouca sorte e as circunstâncias adversas…" 
"Invejo-lhe a paz de espírito, a consciência limpa, a memória impoluta. Menina, uma memória sem manchas ou não contaminada deve ser um tesouro precioso…" 
"Quando o destino se me tornou desfavorável, não abracei o bom critério de permanecer calmo. Desesperei-me. Depois degenerei." 
"Miss Eyre, quando estiver tentada a errar, receie o remorso; o remorso é o veneno da vida."
"Para mim, um homem não vale nada se não tiver um certo sainete do Diabo." 
"Sentimento sem razão é, de facto, uma droga sem préstimo, mas a razão sem ser temperada pelo sentimento é um petisco demasiado amargo e seco para a alimentação humana." 
"Os preconceitos, como é bem sabido, são mais difíceis de extirpar dos corações cujo terreno nunca foi preparado e fertilizado pela educação. Crescem ali firmes como ervas daninhas entre pedras." 
"A poesia destruída? O génio banido? Não! Não, mediocridade, não deixes a inveja insinuar-te esse pensamento. Não! Eles não só vivem, mas até reinam e nos redimem, e, sem a sua divina influência espalhada por toda a parte, estaríamos no inferno, o inferno da nossa própria mesquinhez."

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