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0 A Guerra Eterna + Opinião

  Em 1997 a Terra entra pela primeira vez em contacto com os extraterrestres tauranos. Este encontro marca o início de uma guerra impiedosa. As autoridades terrestres decidem enviar um contingente de elite, e preparam um programa de treino quase inumano, destinado a produzir soldados capazes de aguentar tudo. William Mandella é um desses soldados. 
  A fim de viajar até à frente de batalha, os soldados têm de atravessar portais chamados collapsars, que causam uma distorção espácio-temporal, fazendo com que o tempo subjetivo da nave seja mais lento que o tempo «real» do universo. Ou seja, quando Mandella regressa a casa após dois anos, quase três décadas passaram na Terra. E conforme viajam para mais longe, maior é a dilatação, passando de décadas para séculos inteiros. 
  A luta mais cruel que estes soldados terão de travar será a sua batalha pessoal contra o tempo.

Autor: Joe Haldeman [site oficial] [facebook]
Editor: ASA (Março, 2014)
Género: Ficção Científica
Páginas: 340
Original: The Forever War (1975) [Goodreads] [WOOK]
   

Opinião
My rating: 4 of 5 stars

Uma formidável alegoria à guerra do Vietname; custa a acreditar que o premiado A Guerra Eterna tenha sido rejeitado 18 vezes antes de ser finalmente aceite por uma editora.

Com cenas de combate carregadas de acção e suspense aliadas a excelentes descrições e uma óptima defesa do seu conteúdo com recurso a teorias científicas, ainda assim, o melhor elemento do livro é a inquietante mensagem anti-guerra que o autor se propôs a transmitir.

William Mandella integra um dos primeiros grupos recrutados para combater os tauranos, uma raça alienígena sobre a qual se possui pouca informação. Enquanto se interroga sobre o que aconteceria se experimentassem simplesmente sentar-se e tentar comunicar com os tauranos, Mandella consegue sobreviver ao treino implacável e ao primeiro conflito com os extraterrestres, mas apenas para se deparar com a alienação da sua própria espécie.

Joe Haleman, o autor, serviu-se da teoria da relatividade de Einstein para tornar o livro ainda mais interessante; sendo que quando um corpo está em movimento, o tempo passa mais lentamente para o mesmo. Assim, ao viajar pelo Espaço, o tempo passa de forma diferente para Mandella em relação à Terra, de modo que enquanto para Mandella passam anos, na Terra passam-se séculos - anos de grandes transformações - afastando cada vez mais Mandella do seu planeta e dos seus habitantes.

The Forever War
The second inside illustration for 
the limited edition produced by 
Centipede Press [link]
Tal como as anteriores, esta guerra força o progresso, ignorando, contudo, a importância de progredir na direcção correcta. O mundo torna-se ainda mais criminoso, impiedoso, cínico e cruel; com o objectivo de controlar o sentir o afastamento social e a solidão de Mandella. Estes elementos, aliados à talentosa execução do crescimento/desenvolvimento do carácter do personagem ao longo da narrativa, levam-nos a criar uma agradável empatia pelo mesmo.
excesso de população mundial a homossexualidade começa por ser aconselhada e depois obrigatória; o nível de tratamento médico a que uma pessoa tem direito depende da sua 'importância', sendo que o nível zero corresponde a nenhum tratamento. Tratam-se de alterações e especulações tão surreais que acabamos por compreender e

Veterano da guerra do Vietname, Haldeman sabia bem sobre o que escrevia ao reproduzir no seu livro uma
guerra cheia de desperdício de vidas, onde muitos soldados não passavam sequer da fase de treino, e conflitos inúteis - neste caso, por mundos onde o único fluido era uma ocasional poça de hélio líquido. Uma guerra não é ganha apenas com batalhas mas através da combinação de vitória militar, gestão económica, estratégia logística, acesso a informação inimiga e visão política. Seja no passado ou no futuro, na Terra ou no Espaço, as guerras tendem a eclodir pelos mesmos motivos e ter as mesmas catastróficas consequências, individual e colectivamente, económica e psicologicamente. Ao particularizar Mandella, Haldeman fez ainda mais, mostrando-nos que as verdadeiras batalhas travavam-se noutro sítio, a outros níveis.

Por se tratar de ficção científica A Guerra Eterna pode não agradar a todos os leitores mas, falando por mim, que não sou particularmente apreciadora deste género literário, quando um livro é bom, é bom. Neste caso, basta manter a mente aberta e tentar perceber para além do óbvio, fazendo ocasionais comparações com a nossa realidade histórica, e temos as ferramentas necessárias para uma óptima experiência de leitura.


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