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0 Vida Roubada + Opinião

Vencedor do prémio Pulitzer 2013: Uma saga de amor, esperança e redenção no país mais fechado do mundo. 

  Vida Roubada segue a vida de Pak Jun Do, um jovem no país com a ditadura mais sombria do mundo: a Coreia do Norte.
  Jun Do é o filho atormentado de uma cantora misteriosa e de um pai dominante que gere um orfanato. É nesse orfanato que tem as suas primeiras experiências de poder, escolhendo os órfãos que comem primeiro e os que são enviados para trabalhos forçados. Reconhecido pela sua lealdade, Jun Do inicia a ascensão na hierarquia do Estado e envereda por uma estrada da qual não terá retorno. Considerando-se “um cidadão humilde da maior nação do mundo”, Jun Do torna-se raptor profissional e terá de resistir à violência arbitrária dos seus líderes para poder sobreviver. Mas é então que, levado ao limite, ousa assumir o papel do maior rival do Querido Líder Kim Jon Il, numa tentativa de salvar a mulher que ama, a lendária atriz Sun Moon. 
  Em parte thriller, em parte história de amor, Vida Roubada é um retrato cruel de uma Coreia do Norte dominada pela fome, corrupção e violência. Mas onde, estranhamente, também encontramos beleza e amor.

Autor: Adam Johnson
Editor: Saída de Emergência (Fevereiro, 2014)
Género: Ficção
Páginas: 480
Original: The Orphan Master's Son (2012)
   


Opinião...
My rating: 5 of 5 stars
É por demais interessante ler sobre indivíduos que experimentam realidades muito diferentes das nossas; realidades resultantes de mentalidades que preferíamos não admitir que existem contemporaneamente, impostas a pessoas que não têm realmente modo de compreender que há outras possibilidades, que há outras formas de fazer as coisas…

Neste sentido, e partindo das estritas e limitadas premissas de «certo» e «errado», acabei por encontrar inesperadamente o formidável e confuso «intermédio» em Vida Roubada. Adam Johnson conseguiu mostrar que, se procurarmos, conseguimos encontrar beleza onde ela não era esperada e que a grandeza convive muitas vezes de perto com a miséria - perturbadoramente, encontramos humor onde sabemos que ele não pertence.

O espaço de ação é também o ponto-chave do livro. Como curiosos, já assistimos a documentários televisivos sobre a opressiva Coreia do Norte - sempre insatisfatórios, claro - já lemos um ou outro artigo de revista revelador mas improfícuo. Daí que esta curiosidade seja facilmente transferida para as palavras de Johnson em Vida Roubada; cheio de descrições vívidas baseadas tanto em profunda investigação como na imaginação do autor, partilhadas numa escrita intensa mas simples, reunindo um conjunto de poderosas observações estrategicamente dispersas pelo texto.

Achei especialmente interessante a luz que o autor tenta lançar sobre a perspetiva que os norte coreanos têm sobre o seu país e forma de vida - o sacrifício humano (enaltecido), a luta constante (valorizada) e o medo (justa forma de controlo). A individualidade é completamente anulada em prol da coletividade; o carinho e a confiança que o povo tem, ou se convence que tem, pelo «Querido Líder» são assustadores, bem como o culto cego que existe em torno destas figuras. Assim, embora baseados na realidade, os acontecimentos de Vida Roubada assemelham-se bastante a surrealismo…

Melhor ainda, Adam Johnson não encontrou voz para criticar apenas o Comunismo e os seus perigos; o mundo ocidental e o seu capitalismo são também severamente avaliados. Assim, este livro não é apenas um «apontar de dedo» aos erros/problemas alheios mas também uma análise inflexível à nossa sociedade moralmente dúbia, corrupta e egoísta ...mas «livre».

Gostei muito deste livro, parece-me um trabalho excecional sobre um país do qual se sabe tão pouco, tanto se especula e que despoleta tanta curiosidade. Como thriller, faz-nos querer avançar logo para as últimas páginas, como romance mostra-nos que o amor é a mesma coisa lá e cá…aquilo que estamos dispostos a sacrificar por ele é que pode ser diferente.


Sobre o autor...
  Adam Johnson ensina escrita criativa na Universidade de Stanford. A sua ficção tem aparecido nas revistas Esquire, The Paris Review, Harper’s, Tin House, Granta, e Playboy, bem como em The Best American Short Stories. 
  A sua obra inclui Emporium, uma coletânea de contos, e o romance Parasites Like Us. Vive em São Francisco.

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