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0 A Oficina dos Livros Proibidos + Opinião

  Colónia, alvores do século XV. Ares de reforma e de mudança assolam uma Europa governada ainda pelas superstições e velhas crenças. A difusão do saber está em poder de uns poucos.
  No entanto, um pequeno grupo de sábios e eruditos que se reúne na mais absoluta clandestinidade está ligado por uma ambição comum: a transmissão cultural ao povo. Como? Através dos livros. Antes, porém, terão de se esquivar das reticências da Igreja - que não deseja que obras «perigosas» como os Evangelhos cheguem ao povo - e das dos nobres - que não querem perder os seus privilégios. Só um homem, um modesto ourives chamado Lorenz, ajudado pela filha, será capaz de aceitar o desafio.
  Mesmo que o preço que poderia pagar por semelhante ousadia seja o mais caro: a sua vida e a de todos aqueles que o rodeiam.

Autor: Eduardo Roca
Editor: Marcador (Outubro, 2013)
Género: Romance
Páginas: 568
Original: El taller de los libros prohibidos (2011)


Opinião...
My rating: 3 of 5 stars
No seu primeiro livro, Eduardo Roca leva-nos até 1435, à cidade mais antiga do Império - Colónia - fundada pelos romanos quando expulsaram os bárbaros das margens do Reno. Esta foi uma época em que, pouco a pouco, se começaram a verificar mudanças importantes na distribuição do conhecimento, até ali praticamente exclusivo da Igreja e dos nobres. Unidos por uma ambição comum, um grupo de sábios e eruditos procura a difusão cultural, cruzando-se com um novo membro bastante improvável, um ourives, que compensa a falta de cultura com uma curiosidade inata e um nível de habilidade manual que lhe permite construir uma inédita máquina de «impressão» de livros. Um homem de fé, Lorenz debate-se com os perigos da sua missão, acabando por descobrir entre os Evangelhos a derradeira motivação: «…a verdade far-vos-á livres.»

Apesar de ter apreciado imenso o âmbito histórico de A Oficina dos Livros Proibidos aborreceu-me a falta de acção durante a maior parte da narrativa. Compreendo a opção de manter tudo em lume brando até chegar ao clímax mas, neste caso específico, essa escolha acabou por tornar a leitura enfadonha em algumas partes.

O contexto e os ideais/objectivos das personagens foram delineados com grande meticulosidade mas parece-me que Eduardo Roca acaba por sair prejudicado nesta sua tentativa de aperfeiçoar tudo. Estou convencida que uma série de combinações certeiras bastariam para nos deixar a mesma ideia que o autor optou por partilhar em extensos parágrafos. Uma escrita mais arrojada e uma abordagem mais insolente teriam sido mais do meu agrado…

A Oficina dos Livros Proibidos não deixa de ser um óptimo trabalho de suposição sobre um tema muito interessante e com um enorme trabalho de investigação por trás.


Frases Preferidas:
"Já sabeis que o vulgo se mostra sempre inclinado a falatórios, nem sequer com más intenções, mas como mero entretenimento." - p. 52 
"Lorenz passou o dedo indicador da mão esquerda pelas lombadas de uma das estantes próximas. Era um gesto habitual que ninguém notava e que a ele lhe proporcionava um vínculo físico com o mundo da imaginação." - p. 65 
"Para ele, o mundo compreendia-se melhor reduzido à linguagem e escrito num pedaço de papel." - p. 127 
"Também eu viajo constantemente, só que as praias a que arribo são de papel e tinta." - p. 176 
"Nada que ver com estes nossos tempos, onde apenas se procura manter a populaça entretida, ocupando a sua cabeça com idiotices que lhe embotam a mente." - p. 252 
"A qualquer filho se torna embaraçoso o pranto do progenitor; desalenta-o ver derrubar-se a maior protecção com que julgava contar." - p. 429


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