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0 O Parque de Mansfield + Opinião

«Quem já leu Sensibilidade e Bom Senso,Orgulho e Preconceito,Persuasão e Ema sabe que o adultério não é um tema habitual dos romances de Jane Austen. Mas , quando tal acto assola a relativa calma do parque de Mansfield, os resultados são verdadeiramente inesperados.
Fanny Price, a heroína tímida e insegura, tem de lutar e enfrentar as consequências dos seus actos, reexaminando os seus próprios sentimentos enquanto goza a sua feliz amoralidade, a indiferença de uns e o dedo acusador de outros.»

Autor: Jane Austen
Editor: Europa-América (2003)
Género: Romance Clássico
Páginas: 466
Original: Mansfield Park (1814)



Opinião...
Uma primeira espreitadela a «Mansfield Park», de Jane Austen, pode encaminhar-nos no caminho da desilusão. Um enredo desenvolvido de forma muito (!) lenta, fútil e trivial na sua aparência superficial, pouco estimulante e cuja protagonista é uma jovem completamente dependente. Não há no seu carácter um pingo de rebeldia ou ousadia. Justa, modesta, humilde, altruísta, respeitadora - Fanny é moralmente perfeita. O desapontamento seria o destino inevitável, não fosse a inteligente astúcia de Austen.

Se comecei o livro a revirar os olhos a tudo o que Fanny dizia, terminei-o a pertencer ao seu clube de fãs. Esta jovem, de origem pobre, é aceite em casa dos tios, sendo encarada como a sua benevolente obra de caridade. Fanny vive infeliz entre os tios e os primos, com medo e vergonha. Os seus motivos são mal interpretados, os seus sentimentos são ignorados e as suas capacidades menosprezadas. Passa os dias na periferia, a observar os outros, esquecida e solitária por imposição. Esta condição injusta foi o que me levou a simpatizar primeiro com Fanny, principalmente porque Austen não descreveu os seus sentimentos face às sucessivas desilusões que vive; a autora permitiu-nos sentir por ela, o que nos aproxima ainda mais à personagem.
Depois, o carinho por Fanny enraizou-se em mim porque, apesar de ser aparentemente passiva e fraca, Fanny é muito forte nas suas convicções e até bastante corajosa na manutenção e defesa das mesmas. É a única que não se deixa corromper pela influência de comportamentos e opiniões alheias. A rapariga ignorante que era esperada em Mansfield, com opiniões fracas e modos vulgares, acaba por agir de forma mais inteligente, sábia e íntegra. A sua percepção é mais vasta que a dos restantes, a sua intuição mais profunda.

E, claro, temos a linguagem impecavelmente refinada da autora. A igual graciosidade que utiliza tanto em momentos românticos como em áspera ironia ou humor. A forma singular com que se serve de um vocabulário extremamente rico e o dispõe de forma harmoniosa e conveniente.

O final, ainda que apressado, agradou-me imenso: primeiro, porque a certa altura já não esperava este desenvolvimento e depois porque me pareceu mais do que justo.

Acabei até a gostar mais de «Mansfield Park» do que de «Orgulho e Preconceito», porque me parece mais completo e robusto e talvez porque, por ser menos conhecido e mediático, me tenha permitido uma visão mais independente e pessoal…é mais «meu»…!
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«O Parque de Mansfield» foi adaptado ao cinema em 1999 com Frances O'Connor, do filme Inteligência Artificial, a desempenhar o papel de Fanny e Jonny Lee Miller, do filme Sombras da Escuridão, no papel de Emund Bertram. O livro foi também adaptado à televisão em duas séries, em 1983 (BBC) e mais recentemente em 2007. 







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