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0 Chora, Terra Bem Amada + Opinião

O mais famoso e mais importante trabalho da história da África do Sul e um bestseller internacional imediato
quando foi publicado em 1948, o romance de Alan Paton sobre o país de um homem negro sob a lei do homem branco é uma obra de extrema beleza.
«Chora, Terra Bem Amada» é a comovente história do pastor zulu Stephen Kumalo e do seu filho, Absalão,  tendo por fundo uma terra e um povo dividido pela injustiça racial. Notável pelo seu lirismo e inesquecível pelas suas personagens e enredo, «Chora, Terra Bem Amada» é um clássico do amor e da esperança, da coragem e da resistência.

Autor: Alan Paton
Editor: Europa-América
Páginas: 345
Género: Ficção Histórica/Clássico
Original: Cry, the Beloved Country (1948)


Opinião...

«Chora, Terra Bem amada» canta de forma excepcionalmente poética a beleza de África, narrando em simultâneo a comovente história de dois homens, unidos por um trágico acontecimento em que a acção do filho de um resultaria na morte do filho de outro.

Esta seria, só por si, uma história já muito especial, mas Alan Paton serve-se deste microcosmos, deste drama entre duas famílias, para extrapolar e penetrar num tema tão sensível como o é a segregação racial praticada na África do Sul após o término da Segunda Guerra Mundial, entre 1948 e 1994; consequência do choque entre mundos, de diferenças raciais e sociais, estigmas e preconceitos.

Publicado originalmente em 1948, «Chora, Terra Bem Amada» adquire um cariz quase profético e visionário descrevendo a perda de valores morais e de identidade cultural que levariam à fermentação da instabilidade social responsável pela propagação da corrupção, da violência e da imoralidade.

«Nós cremos na fraternidade dos homens, mas não a queremos na África do Sul.»

O livro está dividido em três partes, começando o leitor por acompanhar o padre Kumalo desde que este abandona a sua pequena aldeia e viaja para Joanesburgo em busca dos familiares que se mudaram para a cidade e falharam em dar notícias. Na segunda parte, é narrada a dor profunda e avassaladora de Jarvis, cujo filho, engenheiro e acérrimo defensor da igualdade de direitos na África do Sul, foi assassinado pelo filho de Kumalo. E, finalmente, na terceira parte, o regresso de Kumalo a casa, depois de perdas e ganhos.

A prosa de Paton é bonita na sua simplicidade e fluidez. Não querendo isto dizer que o autor não escreveu apaixonadamente, porque fá-lo, sem reservas, com uma eloquência e sensibilidade salientes, tornando o livro e o seu conteúdo ainda mais poderoso. A mim, o que mais me fascinou foi a coerência com que Paton trabalhou esta obra: numa composição acerca de compaixão e perdão, não há qualquer sentimento crítico ou de censura proveniente do próprio autor.

O medo pelo conhecido e pelo desconhecido é muito destacado neste livro, sendo-lhe conferida responsabilidade por restringir o potencial de cada um. No final, Paton arrebata-nos com fé, personificada no luminoso neto de Jarvis, que traz esperança na mudança de mentalidades e comportamentos. Na justiça. Na espécie humana. E em cada uma das suas raças.

«O medo é uma jornada, uma jornada terrível, mas a dor é, pelo menos, ter chegado.»

Há muitos anos que queria ler este livro…cada bocadinho de espera foi largamente compensado!


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