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0 Corações Sagrados + Opinião

Em plena Renascença, o convento de Santa Caterina está repleto de mulheres da nobreza cujos comportamentos foram reprovados pelas suasfamílias. Muitas estão já resignadas com esse destino. Mas a recém-chegada Serafina não se conforma. Vive obcecada coma fuga e o homem queama. A sua revolta quebra a harmonia do convento dirigido por MadonnaChiara, uma abadessa tão à vontade na política como na oração. Elaentrega Serafina aos cuidados da Suora Zuana, a jovem freira que dirigeo dispensário e trata todas as maleitas, da pestilência à melancolia e àautomutilação. Perante a improvável amizade que vai unir estas duasmulheres, há quem se mantenha vigilante, como é o caso da severa SuoraUmiliana e da misteriosa Magdalena, com um passado de êxtases evisões... Mas o espírito rebelde de Serafina vai abalarirreversivelmente a vida do convento e as mais profundas convicções dassuas ocupantes. 

Com um fascinante elenco de personagens femininas, Corações Sagrados é um romance sobre poder, criatividade, paixão -secular e espiritual - eo indomável espírito das mulheres numa época emque as forças religiosas, políticas e sociais se uniam contra elas.




Autor: Sarah Dunant
Editor: Edições Chá das Cinco (2011)
Género: Romance
Páginas: 448
Original: Sacred Hearts (2008)


A Minha Opinião:

Um jogo de percepções tão bem conjugado que nos mergulha numa viagem de combate entre a esperança e o desespero.
Itália do século XVI: muitas mulheres eram forçadas a ingressar numa vida dominada, em todos os aspectos, pela doutrina cristã; quer fosse por o dote a pagar por um casamento ser demasiado elevado para os pais ou devido a deficiências/deformidades que as excluíam desapiedadamente do panorama matrimonial. Enclausuradas dentro dos muros de um convento, poucas soluções haveria para além de ceder a uma espécie de loucura sagrada.

O pai de Serafina teria certamente dinheiro para pagar o dote. E ela não possuía nenhuma deformidade, bem pelo contrário…mas o seu coração entregou-se, cedo demais, ao homem errado…Desespero, fúria, dor. O pânico da constatação de todo um futuro encarcerado. De Sonhos destruídos…«(…) todas as pessoas que amava estavam longe, deixando-a à mercê de um exército de gárgulas, todas tão entupidas de devoção que já não se lembram de como é ser uma mulher vida, com sangue nas veias.»

Gostei da originalidade que acompanha todo o livro e vibrei imenso com a sua imprevisibilidade - o início é de facto confuso devido à introdução de tantas personagens mas depressa lhe apanhamos o ritmo. A descrição da vida no convento é muito interessante e curiosa; os problemas que se podem formar, as estritas regras e a sua aplicação ou as consequências da sua transgressão, a convivência entre tantas mulheres de fé, os jogos e os interesses por detrás das mais inocentes acções, os interesses políticos da Igreja…e o vazio…
A exposição dos conhecimentos médicos e científicos da altura, a forma como eram misturados com crendices e superstição, também é muito curiosa e mantém o interesse vívido na leitura apesar do lento desenvolvimento da trama no geral.
A componente romântica está demasiado ausente mas as personagens estão bem caracterizadas e rapidamente as conseguimos distinguir na sua individualidade. São também bastante interessantes dentro do seu contexto (são freiras…esperar que não fossem mortiças e insonsas era remar completamente contra a credulidade do livro).
A escrita é suave, agradável e melancólica. Infelizmente é também um pouco apagada e esse é o principal ponto negativo, para mim, deste livro. Uma descrição mais pormenorizada do cenário envolvente teria sido bem-vinda, tal como uma melhor clarificação sobre a sociedade italiana da época. Mas nada disso invalida o interesse inato de um argumento como o de «Corações Sagrados».


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