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4 Coleção Novos Clássicos + Opiniões


A Colecção Novos Clássicos
traz-alguns dos mais aclamados
títulos do mundo literário.
Dumas, Austen, Flaubert, Brontë,
Eça e Camilo Castelo Branco...
Definitivamente: Uma selecção a 
não perder!



Reunindo Alexandre DumasJane AustenGustave FlaubertEmily Brontë, Victor Hugo e os nossos Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco, a editora Civilização presenteou-nos este Natal com estes fabulosos clássicos:
    - A Túlipa Negra 
    - Orgulho e Preconceito 
    - Madame Bovary 
    - O Monte dos Vendavais 
    - Nossa Senhora de Paris 
    - O Primo Basílio 
    - Mensagem;
    - Coração Impaciente 
    - O Paraíso das Damas 
    - Os Maias 
    - Ana Karenina;
    - Amor de Perdição 
    - O Pai Goriot 
    - Os Lusíadas;
    - Persuasão 
    - Contos Escolhidos 
    - Só 
    - Quo Vadis;
    - Jane Eyre 
    - A Queda dum Anjo 
    - Acaso 


A Túlipa Negra:
Em 1672, Guilherme de Orange toma o poder na Holanda. Cornélius van Baerle, um promissor botânico cujo único desejo é criar uma túlipa negra perfeita, irá envolver-se inadvertidamente nas intrigas políticas da época. Depois do massacre do seu padrinho, é acusado de traição e condenado à morte. Todas as suas esperanças repousam em Rosa, a bela filha do carcereiro. Os dois jovens verão o seu amor desenvolver-se ao ritmo do crescimento desta túlipa que Rosa cultivará no seu quarto. Mas há ainda um inimigo que terão de enfrentar

Autor: Alexandre Dumas
Editor: Civilização Editora (Novembro, 2012)
Género: Clássico
Páginas: 224
Original: La tulipe noire (1850)

Opinião:

Holanda, Século XVII. A vida dos irmãos de Witt representa um obstáculo aos orangistas e à tomada de poder por parte do seu mandatário, Guillerme, o príncipe de Orange. Assim, é falsificada a encomenda de um assassinato, o que inflama a fúria do povo e culmina na morte brutal dos dois irmãos à mão justamente daqueles que constituíam a pátria que ousaram tentar defender.

É neste contexto histórico que Dumas nos apresenta Cornélius van Baerle, um homem que, sem saber bem o que fazer ao seu tempo e dinheiro, acaba por se dedicar ao cultivo de túlipas e, mais tarde, ao estudo daquela que poderá ser a combinação certa entre Arte e Natureza para o levar à criação da Túlipa Negra.

Uma sucessão de infelizes infortúnios acaba por levar à acusação e condenação de Cornélius, por conspiração. Vendo-se assim, um homem que sempre desprezou a política, ser arrastado justamente para o centro dos seus conflitos e injustos ecos.

A forma estimulante e excitante com que Dumas desenvolve a história, aferrolhando-nos às suas palavras até à ultíssima folha, fascinou-me. O modo como nos choca ao início com violência pura para depois nos envolver com o desabrochar de um amor tão inocente e doce é formidável; transforma o livro e as nossas percepções à medida que nos vamos aprofundando nele.

O humor negro e os pequenos apontamentos críticos do autor vão exactamente de encontro às minhas preferências pessoais numa leitura. A escrita de Dumas em A Túlipa Negra é muito elegante e cheia de graça, encarando os acontecimentos, quaisquer que estes sejam e qualquer que seja, com uma certa placidez que nos assombra e maravilha. A criação crescente e faseada do seu vilão - «o invejoso» - está muito bem conseguida e, afinal, nada como um bom escroque para avivar uma narrativa!

A sucessão dos acontecimentos e a forma dinâmica com que estes são descritos, leva-nos a nós próprios a desenvolver uma certa obsessão pela túlipa, pelo sucesso da sua criação e pelo êxito da empresa de Cornélius e Rosa. Seguindo lado a lado, túlipa e inveja preenchem todas as linhas e entrelinhas deste livro, lembrando-nos de como é fácil deixarmo-nos levar pelas nossas obsessões pessoais…até ao amargurado ponto da cegueira egoísta.

Simples e ainda assim memorável, A Túlipa Negra é o motivo pelo qual as outras obras de Alexandre Dumas estão já na minha lista de livros a ler!


Frases Preferidas:
«Tratava-se para eles desse espectáculo sempre atraente para a multidão, cujo instintivo orgulho lisonjeia, de ver no pó aquele que esteve tanto tempo em pé.»
«-Eis - murmurou - uma rapariga que provavelmente não sabe ler e que, por consequência nunca leu, e que acaba de resumir a história do mundo numa só palavra.»

«Então, após o período de admiração que não podia vencer, sofria a febre da inveja, esse mal que rói o peito e transforma o coração numa miríade de pequenas serpentes que se devoram umas às outras, origem infame de horríveis dores.»

«De que falaram os jovens nessa noite? Das coisas de que falam os namorados na soleira de uma porta em França, e de um e de outro lado de uma varanda na Espanha, de cima de um terraço para baixo no oriente. Falaram dessas coisas que fazem as asas voar, que acrescentam penas às asas do Tempo.»

«Sofremos por vezes o bastante para termos o direito de nunca dizer: Sou demasiado feliz»


Orgulho e Preconceito 
Uma clássica história de amor e mal-entendidos que se desenrola em finais do século XVIII e retrata de forma acutilante o mundo da pequena burguesia inglesa desse tempo. Um mundo espartilhado por preconceitos de classe, interesses mesquinhos e vaidades sociais, mas que, no romance, acabam por ceder lugar a valores mais nobres: o amor.
As cinco irmãs Bennet, Elizabeth, Jane, Lydia, Mary e Kitty, foram criadas por uma mãe cujo único objetivo na vida é encontrar maridos que assegurem o futuro das filhas. Mas Elizabeth, inteligente e sagaz, está decidida a ter uma vida diferente da que lhe foi destinada.
Quando Mr. Bingley, um jovem solteiro rico, se muda para uma mansão vizinha, as Bennet entram em alvoroço…

Autor: Jane Austen
EditorCivilização Editora (Novembro, 2012)
Género: Clássico
Páginas: 360
Original: Pride and Prejudice (1813)
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Opinião:


Jane Austen não podia ter sido mais perspicaz na criação de uma narrativa que evidencia tão inteligentemente , e num falso tom ligeiro e bastante cómico, o cinismo e a hipocrisia da sociedade inglesa do século XIX.

Orgulho e Preconceito tem início com a chegada de Mr. Bingley à localidade. Este homem tão encantadoramente afável, de modos cavalheirescos e bem-parecido (e, claro, rico!) provoca um furor imenso entre as mães casamenteiras e as filhas casadoiras, que a nós muito nos diverte!

Na verdade, Mr. Bingley não chega à sua nova morada sozinho; vem acompanhado das irmãs e do amigo, Mr. Darcy. Este tal de Darcy há-de ser a criatura mais snobzinha que alguma vez colocou pé nas redondezas: arrogante, antipático, orgulhoso, desagradável, altivo e pretencioso, Mr. Darcy é o completo oposto do seu tão atencioso amigo, Mr. Bingley.

Mas tudo isto são elações de primeiro impacto…e a autora acaba por nos mostrar, em diversos sentidos, o quão enganados podemos ser pelas aparências.

Jane Austen constrói e familiariza-nos com as suas personagens principalmente através do diálogo, tornando-as genuínas e realistas aos nossos olhos. Isto torna a narrativa, por vezes, pobre em acção mas pejada de diálogos magníficos que tornam o livro caloroso e acolhedor, permitindo-nos observar a aplicação prática das diversas personalidades em contexto.

Esta obra marca bem a dependência da mulher relativamente ao matrimónio e como vidas inteiras parecem girar em torno de tal acontecimento, seja ele próprio ou alheio. A futilidade e o preconceito da época são ridicularizados, sendo muitas vezes colocados em evidência pelas próprias personagens que reúnem estas pobres características. Verificamos isso especialmente com Mr. Collins e Mrs. Bennet, ambos tacanhos, tolos, presunçosos e interesseiros, mesquinhos nos seus disparates.

Os diálogos estão marcados por observações mordazes e inteligentes que aprofundam o livro em teor. Quanto às descrições de cenário e guarda-roupa, para uma curiosa como eu, estas poderiam ser mais pormenorizadas, o que certamente acabaria por enriquecer ainda mais o interesse histórico da obra. Além disso, o livro fecha-se bastante em redor deste núcleo de personagens e acaba por falhar em nos fornecer um quadro geral da época. Nada disto é «defeito», já que o livro foi escrito no mesmo período histórico sobre o qual se debruça, não existindo talvez grande interesse na altura em estar em descrever o que era óbvio para todos.

Algumas cenas são um bocadinho insípidas e com pouca substância; e gostaria de ter assistido a maior arrebatamento passional por parte de Jane e Elizabeth, mas esta é com certeza uma leitura muito agradável e fluída, branda. Dificilmente encontraremos esta riqueza de escrita tão adornada e distinta em autores contemporâneos.

Além disso, não podemos alegar que Jane Austen não nos deu variedade ao rematar três enlaces tão distintos: um arrebatador amor à primeira vista; um amor que cresce em lume brando à medida que os intervenientes se vão conhecendo melhor; e uma relação estouvada e leviana, sem qualquer base de afecto.



Frases Preferidas:
«Poucas pessoas existem de quem realmente goste e ainda menos são as que me merecem conceito favorável.»
«(...) mesmo sem nos animar o propósito de proceder mal ou de prejudicar os outros, podemos praticar erros e provocar tristezas. Falta de reflexão, falta de atenção pelos sentimentos dos outros e falta de decisão são com frequência os responsáveis.»

Madame Bovary:
Emma, nascida no seio de uma família da pequena burguesia, foi criada no campo e aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico de província tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao casamento, a que Emma se sente presa. Revoltada com a sua vida, Emma perseguirá os seus sonhos, com consequências trágicas.

Autor: Gustave Flaubert
EditorCivilização Editora (Novembro, 2012)
Género: Clássico
Páginas: 344
Original: Madame Bovary (1850)
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Opinião:

…O ardil que é a ilusão do amor romântico…!

Flaubert deixou-nos um trabalho formidável e minucioso com apontamentos cómicos e jocosos mas sempre recorrendo a um tom elegante e gracioso que escoa uma irónica crítica à materialista classe média e ao conservadorismo da época. As personagens são humanamente imperfeitas, repletas de desprezíveis falhas de carácter, os diálogos são formidáveis (ressalto o fantástico trabalho de tradução nesta edição), a importância deste livro, em contexto histórico, é eminente, e o seu conteúdo, escandaloso para a época em que foi escrito, põe-nos certamente a pensar.

Emma viveu toda a sua vida faminta por um amor que a arrebatasse… Consequentemente, viveu toda a sua vida insatisfeita, infeliz, amargurada e entediada com a sua própria existência, frustrada e entediada com tudo o que a rodeava, enfim, decepcionada com a vida em geral.
Personificação da eterna insatisfação, Emma havia construído, com base nos romances que lia, uma falsa e utópica ideia do amor e depois perseguiu-a até à exaustão, desejando apenas viver aquilo que havia sonhado, buscando a felicidade a qualquer custo, arriscando tudo por uma ilusão.
Nesta sua idealização do amor perfeito, no entanto, nunca houve espaço para o marido, Charles Bovary, um homem sério e poupado, estupidamente cândido e inofensivo, que vivia feliz e despreocupadamente…e cometeu o rude erro de considerar que esta felicidade vivia também no coração da sua esposa: ela odiava-o por ele a julgar feliz, odiava-o pela sua serenidade e odiava-o pela felicidade que ele retirava dela.
Numa época em que as mulheres podiam aspirar a muito pouco, Emma confundiu matrimónio com liberdade e acabou presa num casamento que nunca lhe traria felicidade. Egocêntrica como era, boa esposa e boa dona de casa eram qualidades que Emma jamais poderia reunir.
Quando a mediocridade doméstica se tornou insuportável e Emma se viu impelida a luxuosas fantasias e desejos adúlteros, tornou-se claro que nenhum homem poderia na realidade fazê-la feliz, porque nenhum homem poderia ser como ela fantasiosamente idealizara.

A felicidade por que tanto ansiou, nunca chegou.
A paixão e embriaguez do amor que via descrita nos livros, nunca passou de ficção.
E o trágico final tornou-se inevitável: os seus anseios foram a sua desgraça. A ruína abateu-se não só sobre a sua vida mas também sobre a da sua família mais próxima.

Sonhadora e romântica, pronta a arriscar tudo para sentir os mais puros sintomas da paixão verdadeira - esta poderia ter sido a descrição de uma heroína querida, não fosse a «fantasmagoria das realidades sentimentais».
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Frases Preferidas:

«Tudo lhe era insuportável, incluindo ela própria» 
«Mas o que o fanatismo de outrora prometia aos seus eleitos, a ciência realiza-o agora para todos os homens!» 
«Por isso não acredito num Deus patusco que passeia lá por cima de bengala na mão, aloja os seus amigos no ventre das baleias, morre soltando um grito e ressuscita no fim de três dias: coisas absurdas em si próprias e completamente contraditórias, de resto, a todas as leis da física, o que nos demonstra, diga-se de passagem, que os padres estagnaram sempre numa ignorância torpe, onde se esforçam por atolar com eles os povos.» 
«Que pode haver de melhor, com efeito, do que passar o serão ao canto da lareira com um livro, enquanto o vento fustiga as vidraças e o candeeiro arde?»



O Monte dos Vendavais:
Mr. Lockwood aluga uma casa no Yorkshire para uma calma temporada no campo. Contudo, certa noite, ao ver-se forçado a pernoitar na obscura mansão de Wuthering Heights à conta de uma forte tempestade, irá descobrir e quase reviver os tormentosos acontecimentos aí ocorridos anos antes, e que perduram no tempo como uma terrível maldição.
O Monte dos Vendavais centra-se na relação intensa entre Heathcliff, um jovem cigano adotado, e Catherine Earnshaw, a filha do próspero patriarca que acolhe Heathcliff no seio da sua família, e explora magistralmente as consequências trágicas da escolha que Catherine teve obrigatoriamente de fazer entre o amor de Heathcliff e as obrigações sociais a que estava sujeita por condição e nascimento. Esta é uma história de amor intenso e trágico que o tempo há muito consagrou.

Autor: Emily Brontë
EditorCivilização Editora (Novembro, 2012)
Género: Clássico
Páginas: 312
Original: Wuthering Heights (1847)
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Opinião:

Magnífico…Grandioso…Solene…Único.
É sempre tão bom encontrar um preferido!

Ler O Monte dos Vendavais foi, para mim, uma experiência arrebatadora. O seu poderoso fascínio teve início logo desde o começo do livro quando, tal como Lockwood, visitei pela primeira vez a casa do Monte dos Vendavais - o seu ambiente hostil, sombrio e taciturno tão magnificamente descrito, a intrigante sensação de maldade inata... uma atmosfera quase virulenta na sua lugubridade - e permaneceu até ao final, quando a aproximação às personagens nos traz a compreensão de que não há ali verdadeiros vilões, mas sim uma série de vítimas - vítimas das convenções sociais, dos ideais alheios e das falhas do seu próprio carácter.

A narração, a cargo da perspicaz governanta Ellen Dean que não só interpreta mas também interfere na história, é sincera e melancólica mas ao mesmo tempo apaixonada…e completamente apaixonante. Ao lidar com as insensatas e perversas raivas alheias, com os iníquos caprichos dos outros, Ellen traz-nos um relato tormentoso que expõe como o amor pode ser, também ele, uma força destruidora quando o carácter dos apaixonados pende para o ciúme, para a hipocrisia e para a vingança uma vez confrontados com a incapacidade de possuir o que mais almejam - O perigo de ver em outro alguém todo o sentido da vida.

Diversos elementos se reúnem com rara perícia para transformar O Monte dos Vendavais numa obra-prima da literatura. A Natureza, personificada, torna a história selvagem. A quase sempre presente aridez do clima, graças aos ventos gelados do Norte, parece influenciar ou ser influenciada pelas circunstâncias de vida das personagens. O isolamento em que vivem estas duas famílias, os Earnshaw e os Linton, tornam as consequências ainda mais profundas e dramáticas. O sobrenatural converte o livro em algo místico e contemplativo. Tudo isto converge para nos oferecer sensações de sufoco, comoção, tristeza e raiva até que uma derrota, que não o chega a ser totalmente, conduz à tão desejada libertação final.

Heathcliff - porque é impossível não falar nele - é das personagens mais intensas que conheci: vil, louco, avarento, quezilento, violento e feroz. Vive atormentado por uma cólera sufocante, sem perceber que ao ser responsável pela infelicidade dos outros só poderá estar a prolongar e a piorar a sua, matando a sua sede de vingança nos inocentes. Sofrido e apostado em fazer sofrer, Heathcliff é testemunha que amor e ódio em rácios semelhantes são o suficiente para fazer implodir um coração, dando à morte espaço para exercer a sua sedução.

O Monte dos Vendavais é absolutamente inolvidável e a violência com que me entrou no entendimento, a sua agudeza e impetuosidade, a tristeza que me fez chegar pela contemplação de oportunidades perdidas e felicidades adiadas, até à esperança e ânimo que se abeiram no desfecho…vão manter este livro e as suas afligidas personagens muito, muito perto do meu coração durante muito, muito tempo!


Frases Preferidas
«Devido a esta curiosa faceta temperamental, ganhei a reputação de ausência de sentimentos. Quão imerecida, só eu posso apreciar»
«Um homem sensato deve encontrar companhia suficiente em si próprio» 
«E se julgas que o não percebi, és uma doida; se pensas que posso ser consolado por falinhas mansas, és uma idiota, e se imaginas que sofrerei sem me vingar, convencer-te-ei do contrário em pouco tempo.»
«Podem enterrar-me a doze pés de profundidade e derrubar a igreja por cima de mim, que eu nunca descansarei enquanto não estiveres comigo. Nunca!»
«E preferia ser condenada à residência permanente nas regiões do Inferno, a voltar a passar, uma só noite, que fosse, sob o tecto do Monte dos Vendavais.»
«Desprezo-o pelo que é e odeio-o pelas recordações que me desperta.»
«Era, e ainda é certamente, o fariseu mais maçador e enfatuado que alguma vez rebuscou a Bíblia a fim de recolher as promessas para si e a lançar as maldições sobre o próximo.»
«Que estranha forma de matar! Não polegada a polegada, mas por fracções da grossura de um cabelo, enganando-me com o espectro de uma esperança durante dezoito anos!» 
 «O mundo inteiro é uma medonha colecção de recordações de que ela existiu e de que a perdi.» 

Nossa Senhora de Paris:

Estamos em Paris, em plena Idade Média. A sombra da catedral, a bela bailarina Esmeralda desperta paixões. Mendigos e vadios, o poeta Gringoire e o capitão dos guardas Phoebus rodeiam-na e admiram-na e o temível arquidiácono Claude Frollo é levado ao crime. Suspeita e votada ao suplício, Esmeralda é salva pelo sineiro de Nossa Senhora de Paris, Quasimodo, que a protegerá e adorará ate que a morte os una.

Autor: Victor Hugo
EditorCivilização Editora (Novembro, 2012)
Género: Clássico
Páginas: 540  
OriginalNotre-Dame de Paris (1831)
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Opinião:

Rico, poético, magnífico - assombrosamente soberbo - «Nossa Senhora de Paris» é uma obra absolutamente inesquecível.

Com uma prosa magnífica, apurada ao extremo e manobrada com hábil controlo, Victor Hugo abre caminho por entre as histórias de Frollo, Esmeralda, Febo e Gringoire, todas convergindo para um trágico e inevitável final. A forma melodiosa e elegante com que o faz, adicionando inúmeras referências históricas, artísticas e literárias, faz valer a leitura só por si.
Embora demorado, espesso e com divagações frequentes, mostrando uma extrema preocupação com a arquitectura, nomeadamente a perda de identidade dos monumentos, pintando as solenes linhas dos mesmos, o estilo de escrita de Hugo é irrepreensível.

O autor mostra-nos de forma bastante cruel as lacunas e as virtudes do amor, as suas idiossincrasias, os seus caprichos. Se por um lado temos o amor doentio, obsessivo, egoísta e possessivo de Frollo, por outro lado, o lado de Quasímodo, temos o amor altruísta, caridoso e compreensível.
Também a ilusão das aparências desempenha um importante papel nesta história; Febo, tão bonito por fora e tão oco por dentro, ao passo que o horrendo Quasímodo teria tanto para oferecer se lhe fosse dada essa oportunidade. Encontramos ainda uma boa dose de crítica nesta obra, mas eu prefiro pessosó encalmente o lado romântico e trágico de «Nossa Senhora de Paris», e fico-me por aí.

Qualquer que seja o tipo de amor com que nos deparemos - doentiamente possessivo como o de Frollo, ingenuamente incondicional como o de Esmeralda ou puro e docemente eterno como o de Quasímodo - «Nossa Senhora de Paris» mostra-nos que compete a todos eles uma boa dose de loucura.

Frases Preferidas:
«Toda a civilização começa peça teocracia e acaba pela democracia.»
Porque é assim que se procede de há duzentos anos para cá com as maravilhosas igrejas da Idade Média. De todos os lados lhes infligem mutilações, tanto os de dentro como os de fora. O padre reboca-as, o arquitecto raspa-as, depois aparece o povo que as derruba.»
«(...) os grandes acontecimentos trazem resultados incalculáveis.»
«Tempus edax, homo edacior, o que de bom grado traduziria: o tempo é cego, o homem é estúpido.»
«Ao crescer,  só encontrou ódio à sua roda. Apoderara-se dele. A maldade geral inoculara-se-lhe. Apanhara a arma com que o tinham ferido.»
«Todos  temos certos paralelismos entre a nossa inteligência, os nossos costumes e o nosso carácter que se desenvolvem sem descontinuidade e não se interrompem senão nas grandes perturbações da vida.»
«Nesse tempo, via-se tudo assim sem metafísica, sem exagero, sem vidro de aumentar, a olho nu. Ainda não se inventara o microscópio, nem para as coisas da matéria nem para as coisas do espírito.» 
«Os instintos das mulheres compreendem-se e correspondem-se mais depressa do que as inteligências dos homens.»
«É que o amor é como uma árvore que cresce por si mesmo, que enterra profundamente as raízes em todo o nosso ser e continua a vicejar sobre o coração em ruínas.»
«Todos sabem que as grandes riquezas não se amealham com as belas-letras e os que mais se consomem sobre os bons livros nem sempre se aquecem a um fogo vivo no inverno.»
«(...) quando se é do povo, sire, tem-se sempre qualquer coisa no coração.»

Mensagem:

A obra-prima de um dos maiores poetas portugueses, Mensagem faz uma viagem pela história de Portugal, descrevendo de forma brilhante episódios heroicos e personagens fascinantes, históricas ou míticas. Esta glorificação da pátria, a única obra que o poeta viu publicada em vida, é um tributo sentido aos descobrimentos, ao sebastianismo, à conquista portuguesa dos mares e ao Quinto Império, culminando com um sentimento de esperança em relação ao futuro de Portugal.

Autor: Fernando Pessoa
Editor: Civilização Editora (Junho, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 64


O Paraíso das Damas:
O Paraíso das Damas conta a história de Denise Baudu, uma jovem órfã de vinte anos que acaba de
No universo turbulento das grandes lojas de Paris, que começavam a revolucionar o comércio da época, o romance de Zola descreve uma cidade moderna, mostrando as mudanças de comportamento dos sexos e das classes.
chegar a Paris, vinda da província, na companhia dos dois irmãos. Denise começa a trabalhar na loja de tecidos e confeções "Paraíso das Damas", um dos primeiros armazéns de Paris, uma loja em constante expansão sob a chefia do magnata Octave Moret.

Autor: Émile Zola
Editor: Civilização Editora (Junho, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 408
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Opinião:

O Paraíso das Damas by Émile Zola
My rating: 2 of 5 stars

Quando terminei «O Paraíso das Damas» pairei durante algum tempo com o cursor do rato em cima das estrelinhas de cotação*. Em termos de qualidade da narrativa, importância e relevância social/histórica não tenho dúvidas que se encontre entre o 4 e o 5…mas tenho que ser sincera, não tirei grande deleite pessoal desta leitura…

A jovem órfã, Denise, muda-se juntamente com os irmãos da província para Paris e começa a trabalhar no Paraíso das Damas, uma das grandes e revolucionárias lojas da capital que se dedicam a saciar a sede de consumismo instalada especialmente entre a classe feminina da época. Mouret, o proprietário, é um despótico rei do trapo que gosta de manter as mulheres à sua mercê capitalista, explorando a futilidade das suas necessidades e o materialismo emergente…à custa de tudo e de todos.

A escrita de Zola neste livro é altamente requintada e esmerada, conferindo um tom muito agradável à narrativa, contudo, o ritmo é bastante lento, as descrições detalhadíssimas das diferentes secções da loja foram, para mim, entediantes, ofuscando as partes agradáveis. Reconheço que, de acordo com os possíveis objectivos do autor, estas descrições sejam até vitais, mas tornaram a leitura aborrecida.

A loja é quase, ela própria, como uma personagem caprichosa, à volta da qual todos orbitam, simbolizando a evolução do comércio da época, a pujança dos capitais. Zola criou uma espécie de corte no «Paraíso das Damas» - uma severa hierarquia que deve ser tida em conta em todas as ocasiões.

Pessoalmente, não achei particularmente interessante o romance entre Denise e Mouret, sendo que chamar-lhe romance é ser optimista. Também não desenvolvi real empatia por nenhum dos personagens, o que impediu que criasse uma ligação ao livro. Denise é honesta, esforçada e trabalhadora, mas é também muito apagada. No final de tudo isto, o tão ansiosamente aguardado desenlace

Metaforicamente, este livro será de uma confecção exímia mas cujo modelo, esteticamente, não me agradou…

*nota: eu guio-me pelas cotações do Goodreads, onde 2 estrelas equivalem a «it was ok».



História de Duas Cidades:
Ao fim de dezoito anos de prisão na Bastilha como prisioneiro político, o envelhecido Dr. Manette é libertado e parte para a Inglaterra, onde volta a encontrar a filha. Aí, dois homens, Charles Darnay, um aristocrata francês exilado, e Sydney Carton, um advogado brilhante mas de má reputação, apaixonam-se por Lucie Manette. Das ruas pacíficas de Londres, são levados para a Paris do Reino do Terror, onde a sombra fatal da guilhotina abarca tudo e todos.

Autor: Charles Dickens
Editor: Civilização Editora (Junho, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 424

Os Maias:
Uma das obras mais conhecidas de Eça de Queirós, Os Maias, publicado inicialmente em 1888, conta a
história de uma família ao longo de três gerações. No outono de 1875, Afonso da Maia instala-se em Lisboa, no Ramalhete, na companhia do neto, Carlos, acabado de se formar em Medicina. Após várias aventuras amorosas, Carlos da Maia conhece Maria Eduarda, com quem começa uma relação. Mas o passado de ambos esconde um terrível segredo…

Autor: Eça de Queirós
Editor: Civilização Editora (Junho, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 600

Ana Karenina:
Ana Karenina parece ter tudo - beleza, dinheiro, popularidade e um filho adorado. Mas sente um vazio na
Em contraste com esta história de amor e autodestruição, encontramos Konstantin Levin, um homem em busca da felicidade e de um sentido para a sua vida.
sua vida até ao momento em que conhece o arrebatador conde Vronsky. A relação que em breve se inicia entre ambos escandaliza a sociedade e a família, e traz no seu encalce ciúme e amargura.

Autor: Lev Tolstoi
Editor: Civilização Editora (Junho, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 750
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Amor de Perdição:
Simão Botelho e Teresa estão perdidamente apaixonados, mas as suas famílias são rivais. Quando o
pai de Teresa, Tadeu, descobre este amor, fecha-a num convento. Mas, ao tentar ver a sua amada, Simão mata Baltasar, primo desta e a quem esta estava prometida, e acaba por ser condenado à morte. A sentença é comutada para 10 anos de degredo na Índia, mas antes que esta seja executada, Teresa, Simão e outros que se cruzaram no seu caminho acabam por morrer.

Autor: Camilo Castelo Branco
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 160
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OPINIÃO


Os Lusíadas:
Os Lusíadas têm como tema central o descobrimento do caminho marítimo para a Índia, atingindo o seu
auge no momento em que Vasco da Gama dobra o Cabo da Boa Esperança, tratando em paralelo, de um modo muito engenhoso e com grande mestria, a História de Portugal.
É o primeiro poema regular na literatura do Renascimento, tem ecos de Homero e Virgílio, observando-se grande unidade e equilíbrio entre os seus elementos. Um grande sopro patriótico anima todo o poema, que culmina com a profetização de altos destinos para os Portugueses.

Autor: Luís de Camões
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 360
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Persuasão:
Aos vinte e sete anos, Anne Elliot já não é uma jovem, e tem poucas perspetivas românticas. Oito anos
antes, foi persuadida pela sua amiga, Lady Russell, a terminar o noivado com Frederick Wentworth, um comandante naval bem-parecido mas sem fortuna nem posição social. Aquilo que acontece quando os dois se voltam a encontrar é narrado de forma comovente no último romance que Jane Austen deixou completo.
Persuasão é uma sátira brilhante sobre vaidade e pretensão mas, acima de tudo, é uma história de amor onde se sente a mágoa das oportunidades perdidas.

Autor: Jane Austen
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 240
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OPINIÃO

Contos Escolhidos:
Considerado um dos maiores contistas, Anton Tchekhov mudou o género em si, com as suas histórias,
descrições impressionistas da vida russa quotidiana do século XIX e da condição humana. Com grande moderação, os contos de Tchekhov revelam a alegria, a confusão, a insatisfação e a tristeza humanas, despertando uma profunda simpatia por todas as pessoas, onde quer que estejam, na Rússia, há mais de cem anos, ou em qualquer lugar no mundo de hoje. Neste livro estão reunidos alguns dos seus melhores contos dos principais períodos da sua vida criativa. Atmosféricos, compassivos e estranhamente sábios, os contos de Tchekhov possuem o poder transcendental de assombrar e mudar o leitor.

Autor: Anton Tchekhov
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 224
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Opinião:

Contos Escolhidos by Anton Chekhov
My rating: 4 of 5 stars


'Amem! Casem-se! Façam asneiras!... A asneira é muito mais necessária e sã que todos os nossos esforços no sentido de levarmos uma vida sensata.' (O Conselheiro Privado)



Mundialmente aclamado como o mestre do conto moderno, Chekhov deixou-nos centenas de contos, alguns romances e várias obras de teatro. Como introdução pessoal ao seu trabalho escolhi esta edição de Contos Escolhidos.



O interesse de Chekhov pelo ser-humano e pela forma como este interage com os da sua espécie torna-se óbvio desde o início. Através de uma prosa simples e recorrendo a um vocabulário descomplicado, Chekhov descreve os seus personagens de forma objectiva, nas suas banais actividades do quotidiano.

'(…) bem ponderadas as coisas, tudo neste mundo é maravilhoso, tudo, exceto aquilo que imaginamos e fazemos quando perdemos de vista os mais sublimes objectivos da existência e esquecemos a nossa dignidade de homens.' (A Dama do Cachorrinho)



Chekhov encantou-me com a sua extraordinária capacidade para embelezar trivialidades, numa escrita brilhante mas económica, enchendo-as de significado, tornando-as inesperadamente complexas… Ou simples; e afinal somos nós que complicamos sempre tudo… A variedade dos temas abordados torna a leitura deste livro ainda mais interessante, passando por questões de abandono, solidão, adultério, relações familiares, obsessão, liberdade, amor, loucura, individualidade, comunicação - enfim, sobrevivência!

Mantendo-se neutro durante grande parte da viagem, o autor limita-se a uma descrição honesta e natural das vidas alheias, chegando-nos apenas um zumbido das verdadeiras implicações. Ao confiar desta forma no critério pessoal do leitor, Chekhov criou uma série de contos que podem ser pequenos em tamanho mas cujo conteúdo nos permite argumentar por horas.

Tratando-se de uma seleção de contos há sempre aqueles que nos marcam mais de acordo com as nossas experiências e/ou tendências; no meu caso destaco 'A Aposta', 'Kashtanka', 'A Dama do Cachorrinho' e 'O Monge Negro' como preferidos.
'Andava maluco…tinha a mania da grandeza… Mas fora isso sentia-me lúcido, ativo e sempre satisfeito… Era um homem interessante e original. Agora tornei-me racional e sólido, como toda a gente. Sou um medíocre e a vida não passa de uma coisa enfadonha. Oh, que cruéis… que cruéis vocês foram para mim! Tinha alucinações… que mal fazia isso aos outros? Que mal, pergunto eu? (O Monge Negro)



Frases Preferidas:
'(…) ao observar-se esta água mágica e cheia de reflexos fantásticos, o céu sem fundo, as margens tristes e melancólicas, que exprimiam a futilidade da vida e da existência, de algo mais elevado, de divino, apetecia uma pessoa esquecer tudo, morrer, tornar-se numa recordação… O passado era banal e sem interesse; o futuro, medíocre; e esta noite magnífica e única em breve iria acabar fundida na eternidade; viver-se, pois, para quê?' (Cabeça no Ar)


'Este eterno descontentamento de si mesma e dos outros, a montanha de erros passados, alguns deles tão grosseiros, que via acumular-se à sua frente, considerá-los-ia como a verdadeira vida, aquela que lhe coubera em sorte, sem se iludir na esperança de outra melhor… Essa não existia! As belezas naturais, os sonhos e a música são uma coisa e a vida outra. A felicidade e a verdade parecem, de facto, existir algures, mas fora da vida…' (A Terra Natal)

'É talvez nessa constância, nessa completa indiferença pela vida ou pela morte de cada um de nós que reside s garantia da salvação eterna, da passagem ininterrupta da vida sobre a terra, do seu movimento contínuo, rumo à perfeição.' (A Dama do Cachorrinho)

'Este patife do tempo foge, não espera!...' (O Conselheiro Privado)

'Hoje afirma-se que o génio está muito perto da loucura. As pessoas saudáveis e normais não passam de simples homens, constituem o rebanho. Receios, esgotamentos, estados de degenerescência, tudo isso só pode preocupar aqueles cujos objetivos na vida se resumem ao presente.' (O Monge Negro)

'A exaltação, as aspirações, os estados de excitamento, o êxtase, todas estas coisas são o apanágio dos poetas, dos profetas, dos mártires de ideias fora do comum, são incompatíveis com a vida animal, quero dizer, com a saúde física.' (O Monge Negro)


Só:
Só, a única obra publicada em vida por António Nobre, era considerada pelo próprio autor "o livro
mais triste que há em Portugal". Publicada em Paris em 1892, e reeditada em Lisboa, com algumas alterações, é uma obra ímpar na literatura portuguesa que lançou o poeta no meio cultural.

Autor: António Nobre
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 240

Opinião:
My rating: 4 of 5 stars

"Mas tende cautela, não vos faça mal...
Que é o livro mais triste que há em Portugal!"
Memória,p.8

...sê-lo-á, em certa medida. Não apenas pelas palavras que chegaram ao papel mas, e especialmente, pelo que elas nos deixam adivinhar sobre os sentimentos que viviam em quem as escreveu.
Triste, melancólico e nostálgico, é um daqueles livros com capacidade para me tirar o fôlego com uma só frase certeira, criando contextos que me lançam numa exploração de mim mesma. Por vezes desesperado, por vezes cansado, António Nobre revela neste livro um assustador desprendimento à vida, um tipo de ideologia sinistramente interessante para quem lê.
"Ao Mundo, vim, mas enganado.
Sinto-me farto de viver:
Vi o que ele era, estou maçado,
Vi o que ele era, estou maçado,
Não batas mais! vamos morrer..."
Fala ao Coração,p.97

A angústia de certos versos e a explícita desilusão em relação à vida tornam a leitura de pesarosa e meditativa. Pessoalmente, apreciei sobretudo a sua essência saudosista; o lamento pela implacável passagem do tempo, pela perda de tudo o que foi e já não é, nem poderá voltar a ser.
"Oh! grande vida, mas que ilusão!"
Canção da Felicidade,p.39

"E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inútil. Tudo é ilusão.
Quantos não cismam nisso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!"
Sonetos - 18,p.120

Frases/Versos preferidos:
"E António, crescendo, sãozinho e perfeito,
Feliz que vivia!
"(E a Dor, que morava com ele no peito,
Com ele crescia...)"
António, p. 10

"E os anos correram, e os anos cresceram
Com eles cresci:
Os sonhos que tinha, meus sonhos...morreram,
Só eu não morri..."
Amtónio, p. 17

"Oh! grande vida, mas que ilusão!"
Canção da Felicidade, p. 39

"Ó choupo magro e velhinho, 
Corcundinha, todo aos nós,
És tal qual meu Avozinho:
Falta-te apenas a voz."
Para as Raparigas de Coimbra, p. 40

"Histeriza-me o vento, absorve-me a alma toda,"
Carta a Manoel, p. 44

"Saudade, saudade! palavra tão triste,
E ouvi-la faz bem:
Meu caro Garret, tu bem na sentiste, 
Melhor que ninguém!"
Saudade, p. 51

"O Amor, ai que enigma! consolo no Tédio,
Estrela do Norte! O Amor é doença, 
que tem por remédio
Um beijo ou a Morte."
Saudade, p. 52

"Já choupos nasceram, já choupos cresceram
Estou tão crescida!
Já choupos morreram, já choupos nasceram...
Como é curta a vida!
Saudade, p. 53

 "Caía a Noite. Eu ia fora,
Vendo uma estrela que lá mora,
No firmamento português:
E ela traça-me o meu fado
Serás poeta e desgraçado!
Assim se disse, assim se fez."
Viagens na Minha Terra, p. 56

"(...) Todo o Planeta é zero.
Por toda a parte é mau o Homem e bom o Céu."
Ao Canto do Lume, p. 81

"Jesus! Jesus! quantos doentinhos sem botica!
Quantos lares sem lume e quanta gente rica!
Quantos reis em palácio e quanta alma sem férias!
Quantas torturas! quantas Londres de misérias!
Quanta injustiça! quanta dor! quantas desgraças!
Quantos suores sem proveito! quantas taças
A transbordar veneno em espumantes bocas!
Quantos martírios, ai! quantas cabeças loucas."
A Vida, p. 88

"Olha, acolá, tantos Estúpidos, meu Deus!
(Morrendo, diz-se, vão para o Reino dos Céus)"
A Vida, p. 89

"E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inútil. Tudo é ilusão.
Quantos não cismam nisso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!"
Sonetos - 18,p. 120

"Mas a Existência é um dia, esta vida são férias"
Na Estrada da Beira, p. 128

"Vive ainda o Sol, vivo eu ainda...(mas tu morreste!)
Tudo ficou, tudo passou...
Que mundo este!"
Na Estrada da Beira, p. 131


Quo Vadis:
Henryk Sienkiewicz foi um jornalista polaco que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1905 pelos
seus "excelentes méritos enquanto escritor épico". Em Quo Vadis, o autor ilustra o conflito das ideias morais no seio do Império Romano - um conflito que provocou a queda da imoralidade pagã e permitiu ao Cristianismo tornar-se a força dominante da história. Este romance pungente fala do amor que nasce entre uma jovem cristã, Lígia, e um romano pagão, Marco Vinício. Tem lugar na cidade de Roma sob o regime do brutal imperador Nero. O conflito descrito em Quo Vadis sempre foi de grande interesse para uma vasta audiência de leitores. Quo Vadis é a obra-prima intemporal de Sienkiewicz e foi traduzida para mais de cinquenta línguas.

Autor: Henryk Sienkiewicz
Editor: Civilização Editora (Outubro, 2013)
Género: Clássico
Páginas: 512

4 comentários:

  1. Descobri este exclente blog hoje devido a esta publicação. E tenho uma pergunta sobre esta coleção, eu planeio comprar tanto Os Lusíadas e Anna Karenina, mas devido ao baixo preço comparado a outras edições eu fico com a seguinte dúvida, qual a qualidade da capa, paginação, tamanho da letra? São coisas importantes para mim e gostaria de saber se me pode responder a isto. Obrigado e continue com o exclente trabalho, ganou mais um leitor do seu blog.

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    1. Muito obrigada, o que disse significa muito para mim.
      Compreendo as suas dúvidas porque os livros desta colecção são relativamente baratos quando comparados a outras traduções.
      Pessoalmente, estou satisfeita com os livros - tenho uns quantos - e considero uma boa oportunidade para ter uma colecção de clássicos a bom preço. São edições de capa dura, bonitas, embora eu tenha notado que nas extremidades da lombada acabam por esfolar um bocadinho…o que também poderá estar relacionado com o meu hábito de andar com os livros para todo o lado, dentro da mala, sempre à mão.
      O tipo/tamanho da letra é agradável à leitura, o que é óptimo porque alguns destes livros têm um tamanho considerável. Encontramos alguns erros ortográficos em alguns dos livros e houve opções de tradução com as quais eu não concordo, por exemplo em relação ao livro que referiu, Anna Karenina, o nome do autor vem como Leão Tolstoi...
      Equivalente a esta colecção temos as edições da Europa-América mas são livros de <20€, daí eu dizer que estou satisfeita com esta.
      Espero que tenha sido útil. Vou adicionar algumas fotos ao post para que possa ver melhor os livros.
      Mais ume vez, obrigada - e bem-vindo!

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    2. Muito obrigado pela resposta, ajudou-me a decidir. E optei por comprar livros desta coleção. Para além de serem mais baratos são bastante bons. Obrigado de novo.

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  2. olá! muito prazer, o meu nome é Ana e sou estudante.

    Adorei ler as suas reflexões e a forma como se expressa é maravilhosa!
    Mas estou me a dirigir a si para lhe fazer um pequeno pedido caso seja possível e/ou conveniente: Poderia por as paginas dos excertos de acordo com a edição mencionada? (especialmente na "Nossa Senhora de Paris" - motivos pessoais). Tal pedido porque após a leitura, gostaria de facilmente encontrar as frases e assim conferir-lhe uma contextualização mais rigorosa.

    Muito obrigada.

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