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0 A Mão do Diabo


A Mão de Diabo é o décimo romance de José Rodrigues dos Santos, autor da Gradiva que já vendeu mais de um milhão de exemplares e está publicado em dezoito línguas. 
Este novo livro aborda a crise, um tema relativamente ao qual a sociedade está particularmente sensível. Seguramente despertará a curiosidade dos leitores o que augura mais um sucesso de vendas.


Editor: Gradiva (Outubro, 2012)
Género: Romance
Páginas: 592


A Minha Opinião

Do Prólogo à Nota Final: SOBERBO.

…Relativamente ao tema, bem… não podemos certamente alegar que o mote base deste livro não é interessante, afinal de contas, é sobre NÓS!
Mostrando que o passado responde a diversas questões do presente e associando diversos acontecimentos dos tempos modernos que ficarão, eles próprios, certamente gravados na História, José Rodrigues dos Santos traz-nos, mais uma vez, o historiador Tomás Noronha - agora, um dos muitos (e muitos) desempregados do nosso país.
Tomás vê-se a braços com as consequências da austeridade quando um amigo de longa data surge para lhe pedir asilo…Este indivíduo acaba por complicar ainda mais a vida de Tomás quando, ao ser despudoradamente assassinado, lhe deixa a cifra que esconde a localização de um DVD cujo conteúdo, de tão comprometedor, está a atrair atenções muito perigosas…

…O mais fantástico é que, José Rodrigues dos Santos parece ter aplicado à escrita a mesma (e estupenda) dedicação que destina sempre ao argumento - e os dois, aliados, fazem maravilhas! Especialmente quando é notório que o autor nos está constantemente a espicaçar… os nervos e o sentido crítico!
Ficam patentes diversas técnicas comuns para tornar a leitura menos pesada e bastante mais agradável - mantendo ainda assim, toda a informação que o autor gosta de transmitir, mas sem a forma tão exaustiva e factual com que o costuma fazer. Há sempre qualquer coisa a acontecer na trama, com uma maravilhosa e bem executada divisão por cenas, bem seccionadas em capítulos curtos que dão um óptimo andamento à leitura. Ao contrário do que acontecia em «O Último Segredo» que chegava, em certas partes, a parecer mais um ensaio do que uma obra de ficção.
O cariz revelador e conspiratório do livro mantém-nos colados à narrativa. E, sinceramente, já estávamos a precisar de um intervalo nas teorias de conspiração que envolvem credos e religião.
A componente «crise» está por todo o lado - somos arrebatados pelas suas consequências e vemo-nos sufocados pela sua constante presença. Toda a descrição desta ganância política que vemos actuar criminosamente, impune, diante dos nossos olhos irá nausear até o mais desinteressado dos leitores. Muitas das personagens, que irei colocar entre o mesmo tipo de aspas que o autor refere na Nota Final, «ficcionais», afiguram sobremaneira os indivíduos desqualificados e corruptos que nos governam.
As variáveis são imensas. Mercados desregulados, liberalismo económico, um envelhecimento insustentável da população, a estagnação económica, a competitividade com mercados onde se praticam salários muito baixos, bem como a ganância e corrupção políticas… Os culpados são ainda mais, sem que nos possamos isentar da nossa quota…mas há flagrantes tão repulsivos e espinhosos que parecem mesmo ter neles…a mão do Diabo.

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