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2 Mulherzinhas

Sinopse:

«As irmãs Meg, Jo, Beth e Amy conhecem algumas dificuldades depois da partida do seu pai para a guerra e dos problemas económicos que a família enfrenta. Mas o espírito lutador e de união que reinam naquele lar ajudam-nas a seguir em frente. Quer em casa quer nas relações com os amigos e vizinhos, elas conseguem surpreender e continuar e ser fiéis aos seus sonhos, vivendo cada dia com esperança e boa-disposição. Um história em que o amor e a coragem se revelam mais fortes do que todas as dificuldades que estas quatro raparigas, juntamente com a sua mãe, têm de enfrentar.»

Autor: Louisa May Alcott
Editora: Oficina do Livro (2011)
N.º Páginas: 392
Título Original: Little Women (1867)
Cotação: 

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A Minha Opinião:

Encontrei este livro, por acaso, no sótão da minha mãe...As páginas amarelecidas pelo tempo e endurecidas pela humidade chamaram a minha atenção...puxei-o da estante e li o título. Conhecia a obra da minha infância, graças a uns desenhos animados que adorava ver e dos quais não perdia um episódio que fosse. Eu e uma caixa de bolachas, depois da escola!

Não tinha outra escolha...abracei-o e trouxe-o comigo para baixo.

Isto é relevante porque, não fossem estas recordações da minha infância e, muito provavelmente, não classificaria este livro com 4 estrelas. Mas o impacto de cada livro atinge-nos consoante as nossas próprias experiências pessoais, recordações, memórias...e este livro fez-me viajar no tempo - não para a infância das protagonistas, mas para a minha. Para o prazer que eu tirava das maratonas de desenhos animados... essas maratonas de histórias continuam...mas agora com livros. E este, juntou ambas!

Não concordo que os clássicos sejam todos obras soberbas, de inspirações grandiosas. Alguns são, lamento, grandessíssimas secas. Mulherzinhas não é, de todo, enfadonho. Pelo contrário, é dinâmico e divertido. Contudo é um clássico, é antiquado e apenas colocando-o em contexto histórico conseguimos olhar para ele como algo formidável

Inicialmente classificado como leitura para raparigas, apresenta-se-nos também de forma demasiado moralizante, com páginas e páginas carregadas de lições de moral e conduta, com grande louvor à virtude. Não creio que seja um livro só para raparigas mas sim para adultos de ambos os sexos, mas acredito que seja muito mais divertido para uma rapariga que se consiga rever nas cenas descritas, com amigas e/ou irmãs. 

As personagens estão muito longe de serem retratadas como perfeitas. As quatro irmãs da família March possuem defeitos e falhas muito próprias. O livro conta-nos basicamente a história de uma família (pai, mãe e quatro filhas) que atravessam o complicado período da Guerra Civil e lutam para ultrapassar as suas dificuldades. A autora destaca o amor entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos e, então sim, o amor romântico. 

Existe alguma dificuldade em puxar pontos de identificação para os nossos dias, o que pode desiludir alguns leitores, mas é possível a identificação pessoal com as diversas características que constituem as personagens. Nomeadamente as quatro raparigas e o vizinho Laurie - todos tão diferentes. 

Tentando inserir alguma modernidade, Alcott evitou passar a mensagem de que o casamento é uma parte essencial da vida da mulher, a solução para os seus problemas. Daí que no livro Mulherzinhas, Jo (a mais arisca das irmãs) tenha permanecido solteira...mas os fãs exigiram um fim diferente, uma continuação, pelo que Alcott avançou com um segundo volume (Good Wives) e, pressionada pelo seu editor, foi praticamente obrigada a casar a rebelde Jo. 

Com a sua obra, Louisa May Alcott instiga-nos a olhar para o lado positivo das coisas e a fazer o nosso melhor para ultrapassar as adversidades. Compensar as nossas falhas e tentar, pelo menos, conciliar as nossas diferenças com os outros. Mostra-nos que todos podemos fazer a diferença, quer tenhamos um grande sentido de responsabilidade (como Meg), uma personalidade forte, audaz e tempestuosa (como Jo) ou uma mais doce e acanhada (como Beth). Ou então que ainda estamos a crescer e a evoluir para uma melhor versão de nós próprios (como Amy).

Alcott não nos deixou um thriller viciante, nem um lindo e comovente romance ou uma comédia hilariante de chorar a rir. Não escreveu um histórico de pesquisa assombrosamente minuciosa, nem um fantástico magnificamente idealizado. Mulherzinhas é um livro simples e bonito, que faz já parte da vida de muitas pessoas. Que nos mostra a importância da família

E a mim, estas quatro irmãs, marcaram-me para sempre. 


2 comentários:

  1. Eu amei essa resenha e fiquei com muita vontade de ler! Não sabia que tinha um desenho, mas assistirei após a leitura =D. Continue com belas opiniões assim.

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    1. Muito obrigada Helena :D
      Adoro este livro, ainda mais pelas recordações da infância :) Espero que tenha oportunidade de ler e que goste!
      **

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